sábado, 5 de novembro de 2016

A PALAVRA TEM PODER - - A Mensagem de Sábado - - Neo Cirne

A PALAVRA TEM PODER

- Neo Cirne -


 Hoje estiquei um pouco mais na cama, meditei e pensei: Como a palavra tem poder e força! Lembrei muitas histórias que presenciei durante a vida e duas delas se destacaram.


 A primeira história:
Conheci uma pessoa que passou boa parte de sua existência economizando e deixando a vida passar sem ter a coragem de vivê-la com mais intensidade. Era uma pessoa de bem, trabalhadora e gentil. Vivia modestamente, no bairro da Tijuca/Rio. Apesar de trabalhar numa grande empresa onde ganhava um belo salário, deixava de comprar as coisas que gostava, economizava em tudo, só para poupar pro tratamento de um eventual câncer. Adorava ficar em casa e só saía de lá para o trabalho, para reuniões na escola em que a filha estudava ou para tratar da saúde.

Numa dessas saídas, recomendada por uma amiga, foi ao meu consultório, queria realizar um tratamento dentário. Atendi-a com toda atenção. Procurei identificar seus problemas odontológicos, fiz um plano de tratamento e ela aceitou. Dias depois, começamos o tratamento e uma grande amizade.

Ela não era uma pessoa tímida, pelo contrário, era bem animada e falava muito. Observei que dentre as coisas que me falou, ela repetia sempre que guardava suas economias para usar quando ela tivesse um câncer. Fiquei meio assustado com as suas palavras. Eram muito fortes.
Muitas vezes, tentei demovê-la dessa ideia, sem sucesso. Era uma fixação. Ela dizia que guardava dinheiro para duas coisas: para a educação da filha e para o tratamento da terrível doença.

Realizei o tratamento acordado e marquei um retorno para seis meses depois. Ela estava bem, mas observei que ela voltou a mencionar a atitude de guardar para pagar o tratamento do câncer. Perguntei-lhe se possuía algum diagnóstico da doença. Ela disse que não, mas que tinha certeza que adoeceria. Perguntei se tinha histórico de câncer na família, ela disse que não. Procurei orientar para que ela passeasse mais com a família, que espairecesse um pouco mais, que saboreasse um pouco mais a vida, ao invés de ficar focada exclusivamente com o futuro da família e com a sensação mórbida de uma doença fatal, já que ela estava gastando seu tempo precioso com uma preocupação sem sentido, já que não tinha o diagnóstico da doença. Ela ouviu atentamente o meu conselho.

Tem horas que acho que a profissão de odontólogo tem muito a ver com a laboriosa missão do psicólogo. O tempo passou. Trocávamos cartões de natal ou marcava uma revisão, até que, de repente, ela deu uma sumida. Tentei contato, não consegui. Ninguém atendia. Silêncio total. Até que, um ano depois da última consulta, a filha dela me ligou, relatando que sua mãe falecera, de câncer. Tentei saber detalhes com a jovem, ela tinha 15 anos e com sua voz triste me disse: “Doutor ela sentiu uma dor nas costas e foi procurar um médico que ao fazer exames radiológicos detectou um grande e agressivo tumor no pulmão com metástase no cérebro”. E continuou: “foi tudo muito rápido, fizemos de tudo para salvá-la, tudo que ela economizou gastou nos melhores e mais modernos tratamentos, mas não deu”. Falei-lhe do nosso pesar e agradeci a ligação.

Que força tem a palavra! Essa cliente, que durante quase toda sua vida guardou fundos para tratar de uma doença que não possuía. Falou tanto do problema que acabou, por uma dura ironia do destino, contraindo a doença apregoada. Seria uma premonição? Ou, seria a afirmação de seu desejo? Não o de ficar doente, mas passar pela experiência de tratar-se, independente do custo do tratamento.

Não tenho resposta!


A segunda história

Tenho um amigo que, assim como eu, adorava música. Eu muitas vezes, na adolescência, fui a casa dele para ensaiarmos juntos, até compusemos uma bonita canção. Ele, sendo seu amigo, fez de mim seu confidente e disse que estava apaixonado por uma vizinha que eu conhecia: a Dany. Morávamos perto. 

O tempo foi passando ele tentando se aproximar da moça, conversavam até, mas nada de rolar um papo de namoro. Só falavam amenidades e coisas comuns. Um dia, ele me chamou e disse que estavam namorando. Eu disse: Parabéns! Que legal! Água mole em pedra dura...

Ele sempre me dizia: “Dany ainda será minha mulher”, vou me casar com ela, afirmava. Eu sorria e dava a maior força, se você acha que isso é bom, que ela é a mulher da sua vida, vá em frente.

Nem se passaram dois meses e o pai da Dany, comerciante estava mudando para Minas Gerais, foi gerenciar uma grande loja em Leopoldina, com isso a manutenção do namoro foi difícil. Ela estava com 17 anos e ele com 26, trabalhando e fazendo faculdade. No início, ele ainda ia vê-la mensalmente, mas depois, com o pouco tempo que tinha, passaram a se falar por telefone. Até, que não deu mais sustentar aquela ilusão afetiva. Terminaram o namoro, mas o sonho não acabou... Ficou uma grande amizade.


A vida seguiu, mas mesmo assim, como amigos que eles eram, vez por outra, ele lhe mandava um presentinho no dia do seu aniversário. Trocavam telefonemas, mas ficava nisso, não ia à diante. Perderam o contato. Ela casou-se, foi morar em outra cidade mais próxima da capital, teve dois filhos. Ele, não conseguia esquecê-la, mas mesmo assim, também se casou. Procurava esquecê-la. 

Ele era uma pessoa próspera e feliz, mas lá no fundo do seu coração lembrava com carinho do seu grande amor. Com quase 15 anos de casado, aconteceu a separação do casal. Ele estando só, passou a dedicar-se ao trabalho e a música que sempre embalou seus sonhos.

Um dia, no Aeroporto do Galeão, a Dany, em visita ao Rio, o viu passar ficou toda emocionada. Tímida, não se aproximou, seguiu-o à distância até o estacionamento. Viu-o entrar no carro e sem que ele percebesse anotou a placa do carro e por intermédio de um amigo do 'detran' conseguiu seus dados e telefone. Dias depois passou um torpedinho com as letras NEOQEAV que significavam “Não Esqueça O Quanto Eu Amo Você”, ele recebeu a mensagem e quase enlouqueceu de curiosidade. Quem teria enviado o torpedo? Esse era um código de uma velha mensagem que falava de amor, um código entre eles. Não imaginou que fosse ela, a sua ex-namorada do bairro. 

Passou dias aflitivos, ele sozinho e carente, lembrava o que dizia pra todos os amigos: “Um dia ainda vou casar com ela, pois é o grande amor de minha vida”.

Sabem como acabou essa história? Meses depois ela se separou do marido, tomou coragem e foi ao Rio de Janeiro para encontrar com ele. Ela ligou, e da conversa surgiu um encontro. Eles se acertaram e casaram. Ele conseguiu realizar o desejo que sempre apregoou: “Um dia ainda caso com ela”.

Tanto ele disse essa frase que os céus escutaram e o Universo conspirou, para que, independente do tempo e da distância, tudo acabasse bem. Hoje são muito felizes. 

A vida é mesmo assim, a força da palavra é indiscutível. É como se Deus ouvisse tudo o que pedimos... Peça e será atendido! O que dizemos e ouvimos os outros dizerem tem o poder de esculpir a nossa experiência, nossa visão do mundo, e, mais importante, a imagem que temos de nós mesmos.

Um dos maiores dons do amor é que, por meio dele, podemos adquirir essa poderosa capacidade e usar a palavra para trazer vida, iluminação e realização dos nossos desejos ao lado da pessoa que amamos.

A palavra é um instrumento muito poderoso, realmente. Por isso, pense antes de falar, pois, dizia um velho ditado persa:A palavra só é sua enquanto estiver presa, dentro de sua boca, quando a libertares ela pertencerá ao mundo". 

Peça ao Universo que ele conspirará ao seu favor... Isso é uma grande verdade!



Tim-Tim!
Neo Cirne
Colunista de UBAV-Brasil

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