sexta-feira, 26 de agosto de 2016

REFLETINDO A VIDA - - "UMA OUTRA MULHER" - - Por Neo Cirne

“UMA OUTRA MULHER”


Após 21 anos de casamento, minha esposa quis que eu levasse outra mulher para jantar. Disse: ‘Eu te amo, mas essa outra mulher também te ama e gostaria muito de passar algum tempo com você’.
A outra mulher era minha mãe, que ficou viúva há 19 anos. Porém, o meu trabalho e os meus três filhos faziam que eu a visitasse apenas ocasionalmente.
Então, eu liguei para convidá-la para jantar.
‘O que foi? Aconteceu algo?’ ela perguntou.
Minha mãe é do tipo de mulher que ao receber uma ligação tarde da noite já espera uma notícia ruim.
‘Eu pensei que seria legal passarmos algum tempo’, e completei: ‘Só nós dois’. Ela refletiu por um momento, então ela disse: ‘Eu iria adorar’.

Na sexta-feira eu fiquei ansioso. Quando a vi, notei que ela também estava ansiosa pelo encontro. Estava na porta, arrumou os cabelos e usava o vestido do último aniversário de casamento.
Estava radiante e os seus olhos brilhavam enquanto ela dizia: ‘Contei aos meus amigos que vou sair com meu filho e eles ficaram todos impressionados’.

Fomos a um lindo restaurante. Ela tomou o meu braço, como se fosse uma rainha. Sentamos e li para ela o cardápio, suas vistas já estavam bem fracas.
Sorrindo ela me disse: ‘Houve um tempo em que eu é quem tinha de ler o cardápio pra você’. Disse-lhe em resposta: ‘Então, relaxe e permita retribuir o favor’.
Conversamos , nada de importante, apenas conversamos sobre curiosidades da vida de cada um.

Quando a deixei em sua casa, disse: ‘Gostaria de sair de novo com você, mas só se você deixar que eu pague da próxima vez’. Eu concordei.

Dias depois, minha mãe faleceu devido a um ataque cardíaco. Foi tão repentino que não pude fazer nada por ela.

Tempo depois recebi um envelope. Dentro estava a cópia de uma conta paga. Era a conta do restaurante onde havíamos jantado, e uma notinha em anexo que dizia: 

‘Paguei a conta adiantado. Eu não tinha certeza se poderia estar presente já que minha saúde anda muito debilitada. Se você estiver lendo esse bilhete é porque eu não poderei mais ir com você, mas a despesa está paga para duas pessoas. Nesse caso, eu gostaria que levasse a sua esposa. Você nunca poderá imaginar o que aquela noite significou pra mim. Eu te amo muito meu filho!’



COMENTÁRIO TIM-TIM!

Dentre todas as formas de amor, o maternal é o mais surpreendente. O amor de mãe é de grande intensidade sendo quase impossível compará-lo.
Selecionei essa história, da qual desconheço a autoria, por ter passado uma situação semelhante com minha mãe.
Recordo que eu quase não via minha mãe, pois eu morava em Niterói, trabalhava no Centro e em Copacabana. Ela morava sozinha, no subúrbio do Rio de Janeiro, numa boa casa. Tinha 56 anos e grande vitalidade, apesar do diabetes.
 Um dia, antes do meu aniversário, ela foi me visitar. Eu e a família enchíamos saquinhos de doces para serem entregues no dia seguinte, 27, Dia de São Cosme e São Damião. Eu dava doces para as crianças todos os anos.

Minha mãe, toda feliz, prontificou-se a ajudar a encher os saquinhos de doce. Após enchermos, 300 saquinhos e acondiciona-los, ela percebeu que haviam sobrado 4 caixas de chocolates BIS, os quais ela adorava. Infelizmente, mesmo eu tendo lhe chamado a atenção carinhosamente, para que não exagerasse, e que comesse apenas uma unidade, ao cair da noite ela comeu escondido as quatro caixas.

No dia 27 de setembro, ela estava toda feliz, só que seu índice glicêmico subiu muito. No dia seguinte, ainda se banqueteou com alguns saquinhos que sobraram.
O resultado: uma internação súbita, dias depois, com fortes dores no peito, teve um ataque cardíaco. Lutou durante 40 dias e depois, partiu.  


Quis com essa história destacar que não devemos esquecer os nossos entes queridos ou amigos amados, ficando muito distantes deles. A perda de um amigo ou de um ente querido é algo inesquecível.

Curta bem o seu afeto pelos seus entes queridos. A vida passa muito rápido e a memória de quem amamos é permanente. Vamos recomeçar a história e nos aproximar mais um pouquinho de quem nós amamos. Às vezes, uma lembrança, um abraço, um carinho, diminui a sensação de isolamento e pode ajudar a salvar uma vida.


Tim-Tim!

Neo Cirne

Colunista de UBAV-Brasil