domingo, 31 de julho de 2016

PALAVRAS ILUMINADAS - (DOMINGO-31/07) - A Mensagem Positiva de Frei Jaime Bettega


Bom Dia!
O domingo é maravilhoso, momento de elevar a alma, de saciar o coração da busca de Deus... Provar a transcendência é constatar o sabor da essência. Obrigado, Senhor, pelo 7º mês deste nosso ano de 2016. Julho, até logo!


“Quando se sentir triste, quando a vida parecer difícil, quando precisar de ajuda, lembre-se: Deus está a uma oração de distância.”
(Pe. Fábio de Melo).


É bem interessante: a vida é feita de tudo um pouco. Os momentos se intercalam, os sentimentos se expandem, as alegrias transbordam, as dores são insistentes. Porém, há momentos que são mais do que exigentes. Derramar lágrimas é expressar quão pesada está sendo aquela situação. Os outros até podem estender a mão, mas nem sempre conseguem ajudar. Ainda bem que muitos permanecem, em silêncio, lado a lado, até a dor passar. Porém, Deus sempre está a uma oração de distância.

Interessante como uma grande maioria só busca a oração em último caso, quando ela deveria ser a primeira a ser encontrada. Quem não tem o hábito de rezar quando tudo está bem, terá dificuldade de se apegar à oração, quando estiver sofrendo.

A oração não existe para solucionar problemas. Ela acalma o coração para que a melhor decisão seja tomada. Claro, em algumas dores não há nada a ser feito. Nenhum curativo é suficiente, nenhum anestésico surte efeito. Nesses momentos, a oração é capaz de renovar as forças para não deixar o desânimo tomar conta. Impossível alcançar alívio, permanecendo com os braços cruzados, quando o segredo é juntar as mãos e dobrar os joelhos.

Alguns ainda vão provar muitas dores até encontrar o abençoado caminho da oração. Outros rezam sempre. Há os que conseguem transformar a vida numa contínua oração. Que alento: Deus sempre estará a uma oração de distância.

Bênçãos! Paz e Bem! Santa Alegria! Abraço!






Frei Jaime Bettega é o pároco da Paróquia Imaculada Conceição, em Caxias do Sul, linda cidade da serra gaúcha. Vale a pena vocês conhecerem esta joia do belo Estado do Rio Grande do Sul. Aproveitem para visitar a Paróquia Imaculada Conceição e receberem as bênçãos de Deus através de Frei Jaime Bettega.

Sua palavra vai ao ar diariamente no seu Facebook e está presente na grade de nossa programação, sempre as terças, quintas e domingos. É um prazer retransmitir as palavras de Frei Jaime Bettega. Bom Dia!

Frei Jaime Bettega OFMCap

sábado, 30 de julho de 2016

A SOLIDÃO E O MOSQUITO - - Uma crônica de Neo Cirne

A Solidão e o Mosquito



Sempre convivi bem comigo mesmo e com as pessoas que participaram da minha vida. Eu também sempre tive uma doce convivência com meus familiares e amores. Quis o destino que eu me tornasse uma pessoa solitária e que passasse a conviver intensamente com meus pensamentos, sonhos e lembranças. Os lugares em que morei sozinho eram cheios de vida e calor, sendo que Salvador foi “the best of all” (o melhor de todos) em matéria de alegria e luz. Lá, por morar em frente ao mar, compartilhava da alegria dos banhistas e me acostumei com o cantar das ondas do mar. Morava a 40 passos da areia de uma praia deliciosa, a Praia de Ipitanga. Era uma praia encantadora, um convite a uma boa caminhada e aos prazeres do banho de mar em águas quentinhas.
O mar não me deixava conviver com o silêncio, muitas vezes ficava na rede escrevendo meus textos ou pintando, ouvindo as batidas da onda sobre a areia macia. Fora isso, a cidade de Salvador naquela época era um convite permanente à vida. ‘Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia!’, dizia Caymmi e eu também.


Os tempos mudaram. Por opção, o Sul do país passou a ser o meu novo objetivo de vida. Povo bom, lugares lindos e a melhor qualidade de vida do país, isso, para mim, que fui considerado um “homem do mundo” - por ter residido em várias cidades - era uma região que tinha tudo a ver com o que desejava: praias próximas, cidade limpa, saúde e segurança. Vim para passar apenas um ano e já estou aqui a cinco. Troquei a praia baiana por um lugar delicioso, que tem tudo que eu necessito e bem pertinho. Acontece que eu resido num prédio muito silencioso e que, em virtude do silêncio, passei a identificar todos os sons da vizinhança, tudo é perfeitamente audível. Sons que vão desde uma criança chorando no segundo andar, o acionamento de uma descarga do vaso sanitário no primeiro andar, uma porta barulhenta que se abre, um cachorrinho que late, um casal fazendo amor ou o vizinho da frente com seu pigarro matinal, um horror. Quem vive só, passa a compartilhar o barulho e o silêncio com os outros.


O inverno no sul, em 2013 e nesse ano de 2016 teve grande intensidade, dizem que vai piorar. Em virtude disso, pelo recolhimento caseiro, a sensação de solidão amplia o que chamo de ‘Sons do Silêncio’. Meus amigos diariamente me ligam de vários locais amenizando um pouco a sensação de me sentir só. Trocamos ideias, conversamos amenidades, às vezes (raramente) recebo a visita de um amigo que vem de passagem à Floripa. Sirvo de cicerone para mostrar os encantos da linda cidade, depois que eles se vão a solidão retorna. 
Nessa estação, com esse frio danado, a solidão pegou pesado. A crise econômica deve ter afetado a intensidade dos contatos. O telefone toca muito pouco, mas eu continuo ligando diariamente para aqueles amigos especiais, vamos trocando figurinhas e contando nossos ‘causos’. Parei de ver televisão, deixo espaço para assistir esportes, seja que modalidade for. (Acho que até ‘cuspe em distância’ hoje em dia eu ando assistindo). 
Não abro mão de ver um bom filme ou um bom seriado do NETFLIX, assisti alguns seriados fantásticos, tais como ‘Drop Dead Diva’, vi 78 capítulos de boas histórias e ‘Cosmos’ que mostrou numa linda temporada, composta de 13 capítulos, a origem do Universo num dos mais formidáveis exemplos da amplitude da divulgação científica.


A solidão anda me pegando de jeito e pega tão pesado que eu passo o dia ouvindo música e cantando para disfarçar. Mesmo quando estou trabalhando deixo uma música ao fundo para o trabalho correr melhor. Mas, confesso que “acho que estou pirando”, pois outro dia, me peguei conversando com um inseto. 
Inicialmente, julguei tratar-se de um mosquito, e assim o tratei. Meu apartamento é bem limpinho e ‘não tem mosquito’, as plantas que possuo exigem algumas gotas d’água, a não ser uma ‘árvore da felicidade’ que por ter quase dois metros, bebe um pouco mais. Mas, ‘mosquito’, por aqui nunca teve! 

Como sou curioso tentei em vão identificar o inseto sem graça que passava em frente a mim num voo desengonçado que mais parecia um helicóptero com um piloto bêbado. (Não era cupim! Hoje sei que era um Caruncho do arroz, assim me disseram)

Meu primeiro impulso foi matar o mosquito, como qualquer cidadão normal faria. Mas, eu havia acabado de orar, estava com a cabeça cheia de bons pensamentos e resolvi não ‘eliminar’ o intruso. O pior é que falei com ele e fiz-lhe uma ameaça, chamando-o de ‘Quito’
- “Quito, você pode ficar na minha casa, mas não quero saber de seus parentes!”
Ele aterrizou de seu voo cambaleante e pousou na parede. Peguei minha lupa para identifica-lo melhor. Ele parecia um pingente de brinco, não tinha mais que um centímetro, era marrom e parecia inofensivo. Mesmo assim, reafirmei a ameaça: - 
“- Quito, se aparecer algum parente seu eu lhe expulso daqui!”.

Alguns dias depois...

Vez por outra, eu via o Quito voando na cozinha, outras vezes, na sala. Ele gostava de luz e me atrapalhava ao pousar na tela da TV. Eu ia lá e o enxotava. Isso se repetia algumas vezes até que ele voltava para a cozinha.

Até que, no domingo passado, na hora do futebol, vi o danado na cozinha. Ele voava em direção à parede. Seu voo lento e desengonçado era certeiro, até brinquei com ele: 
- Ô Quito! Você bebeu minha cerveja? 
Evidente que ele não respondeu, senão vocês podiam me internar... rsrs. Ele simplesmente continuou seu voo enquanto eu fervia o leite. Era um olho no leite e outro no Quito, quando, de repente, avistei outro mosquito, um intruso, pousado na parede, agora eram dois. 
- Caramba! Outro! Exclamei.

Vi quando ele pousou e rapidamente se aproximou do outro que o esperava e, virando de costas, tocaram seus corpos unindo-se num lindo momento de amor... (Sou um cara romântico!)


O leite derramou! Ai, meu Deus, isso é o fim da picada! E ficaram ali alguns minutos, uns vinte ou mais. No intervalo do jogo voltei para ver se estavam lá e pasmem, estavam no maior ‘love’. Quando, nesse instante, apareceu um terceiro mosquito, igualmente desengonçado, indo em direção ao casalzinho.

- Deve ser o amante ou quem sabe, o marido. Vai dar merda! Pensei. 
Corri ao armário e antes que a confusão aumentasse, peguei uma lata de inseticida e acabei com os três.

Mal consegui ver o segundo tempo do jogo, primeiro por sentir remorso de ter matado três mosquitos (ainda bem que não eram os três mosquiteiros, eu teria levado a pior) e, segundo, por ficar preocupado com o aumento repentino da população de mosquitos. Preocupado, examinei a cozinha em busca de outros, procurei nos quartos, na sala, nada encontrando. Enfim, olhei todo apartamento e estava tudo ‘clean’, limpo. Não havia vestígios de parentes indesejáveis do Quito.


Ontem, eu assistia a um documentário do Sport TV, que falava das Meninas de Ouro do Vôlei de Praia, a dupla Jaqueline e Sandra, medalhistas de ouro em Atlanta 96. Eu estava adorando lembrar aquele momento do esporte quando apareceu mais um ‘meliante voador’. Eu, por causa do frio, estava todo enroscado no sofá, mesmo assim, levantei peguei-o com um lenço de papel e atirei ao vento, não o matei. Voltei para o sofá cheio de raiva. Pronto acabou!


Minutos depois, num trecho da entrevista, a Sandra dava seu depoimento à beira mar, quando um ponto preto surgiu, caminhando na tela. Peguei, então, uma almofada e arremessei na TV, que tombou, quase quebrou. Corri, peguei a TV, colocando-a no lugar. Disse um palavrão, coisa não muito comum, voltando a assistir a entrevista e vi que o bichinho estava lá, caminhando, bem ao fundo da imagem. Só ai, percebi que era um pombo que fazia parte da gravação, ele ciscava na areia da praia e eu, maluco que sou, pensando que era outro mosquito, quase destruí a TV.

Hoje, sábado, a TV amanheceu com a imagem trêmula, deve ter sido da pancada que tomou. Levei-a para o consertar, mais um prejuízo.

 Ficarei sem TV no fim de semana! Tudo por causa daquele mosquitinho safado! Pior é que a solidão é tanta que senti falta do Quito... (ou seria Quita?)... Melhor deixar pra lá!



   Crônica de Neo Cirne
    Colunista de UBAV-Brasil


sexta-feira, 29 de julho de 2016

A MENSAGEM DA SEMANA - - FLEXIBILIDADE - - Uma visão Brahma Kumaris


FLEXIBILIDADE

- Uma visão Brahma Kumaris - 


Flexibilidade é uma bela criança cujos ossos ainda não se calcificaram e o corpo ainda não acumulou o efeito das tensões. Pelo contrário, ela é leve, rápida e alegre. Flexibilidade no adulto é não ter o corpo elástico, mas a sutileza dos pensamentos e a vigilância constante para não acumular ou reter a dor. É a dor que causa bloqueios, impede a reação espontânea, destrói a felicidade. É raro encontrar um adulto que seja flexível, que não seja um “hábito ambulante”, que reaja vigorosamente sem condicionamentos ou medos. Como isso é possível?

Um dos segredos é a renovação. Se há um fluxo de sentimentos novos, isso é como a chuva lavando restos e fragmentos de reações não expressadas que se permanecerem, acumulam-se formando medos e preconceitos. Para reabastecer-se de sentimentos novos não é preciso ir a lugar nenhum, mas entrar dentro de si mesmo, longe do óbvio. Afastar-se do óbvio é o mesmo que decretar um feriado espiritual - uma pessoa fica sempre mais tranquila quando viaja.

O problema dos feriados é que não se pode trazer os raios de sol para a casa. Para ser flexível, você precisa sair, viajar, afastar-se mentalmente, mas também tem de trazer algo original de seu interior que possa ser usado; caso contrário, voltar à vida real será um choque tão grande que fará você endurecer.

Recolher-se deveria ser um hábito sagradamente praticado, assim como levantar cedo e comer em paz. Essas são as portas por onde você pode passar se estiver com dificuldades para encontrar a calma novamente. Se a inocência e a delicadeza são a beleza da flexibilidade, a disciplina é a sua base. Mas você tem de ser rigoroso. Se os seus hábitos têm sido adotados como sistemas e você não consegue se livrar deles, se eles não foram internalizados e avaliados em profundidade, você pode descartar tudo o que é aparente, porque a disciplina faz parte de você.

Num mundo perfeito, flexibilidade é uma expressão de alegria, uma cambalhota espontânea no ar, a agilidade da mente e do corpo juntos. Uma dança. Por enquanto, ela é mover-se com os tempos, deslizando pela vida com tanta suavidade e determinação quanto possível. E, acima de tudo, transformando todos os problemas em lições.


Texto extraído do Livro:
‘Beleza Interior - O Livro das Virtudes’ - da Organização Internacional Brahma Kumaris





OPINIÃO TIM-TIM

No tempo atual, recheado de tantas atitudes negativas, é difícil a pessoa não se deixar levar por essa onda imensa de notícias ruins que invade nossos dias. Temos dentro de nós, às vezes adormecida, a doce qualidade de ser flexível quando somos postos à prova. Buscar um tempo para realizar uma meditação é dar um tempo para que seu organismo se adeque à pressão externa. A interiorização que o ato de meditar lhe proporciona certamente trará a atitude correta para resolver os problemas externos. Ou seja, a resposta está sempre dentro de você e cabe a exclusivamente a você busca-la, entende-la e pratica-la buscando apresentar-se mais flexível  e menos vulnerável às pressões externas.


Essa foi nossa mensagem da semana e dedicamos ao amigo que busca soluções e não problemas para marcar sua passagem terrena. Seja mais tolerante e flexível. Impetuosidade, teimosia e orgulho não são características de uma pessoa flexível.

A vida necessita de mais flexibilidade e amor.

Boa noite!


Neo Cirne

Colunista de UBAV-Brasil

quinta-feira, 28 de julho de 2016

UMA REFLEXÃO SOBRE MATERNIDADE - - De Ana Luísa Bartholo

Uma reflexão sobre Maternidade

- Ana Luísa Bartholo -



E de repente o telefone toca e você vira mãe.

A gente já sabia que seria assim. Afinal, foram anos frequentando reuniões de grupos de apoio à adoção, lendo, pesquisando, conversando com quem já tinha adotado e com pessoas que trabalham com o assunto. É assim mesmo: depois que você está habilitado a adotar uma criança e entra na fila, só resta esperar. Um dia – que pode ser depois anos, como foi no nosso caso – o telefone toca. E aí é a maior correria.

“Mas se ela esperou por anos, por que não conseguiu se preparar, fazer o enxoval com calma? Por que tanta correria?”

No nosso caso, éramos indiferentes ao gênero da criança e a idade podia variar entre zero e dois anos. Então, não dava para fazer o enxoval nem saber que tamanho de fralda nosso (a) filho (a) ia usar. Ou mesmo se precisaria de um berço ou uma cama e quais seriam os brinquedos adequados para sua idade.

Bem, a correria que foi entre conhecermos a Gabriela e a trazermos para casa três semanas depois era esperada. Sabíamos que seria tudo muito intenso, rápido, sem tempo e com fortes emoções. Afinal, desde que fomos conhecê-la no abrigo, nós a visitamos todos os dias até buscá-la definitivamente. Durante mais de vinte dias, meu marido e eu saímos do trabalho para o abrigo e do abrigo para casa. Nos finais de semana, ficávamos horas com ela, e depois, saíamos para comprar os itens de primeira necessidade e buscar os inúmeros presentes e doações que recebemos da nossa rede de amigos e familiares. Um período intenso e cansativo, durante o qual contamos com todos na torcida para que – finalmente – virássemos pais.

Quando a Gabriela chegou, depois de anos frequentando grupos de apoio e trocando experiências, eu me considerava relativamente preparada e ciente dos desafios da adoção. O que eu não esperava era descobrir o quanto nossa sociedade equivocadamente confunde, muitas vezes sem perceber e no piloto automático, maternidade com gestação.

Minha descoberta, na verdade, começou alguns meses antes de o telefone tocar, quando minha chefe e eu, ao começar a planejar minha licença maternidade, nos deparamos com a seguinte pergunta: ‘como conseguir alguém para uma vaga temporária sem oferecer uma previsão de quando a pessoa iria trabalhar?’

“Ah, é a mesma coisa que planejar o afastamento de uma gestante que não tem data certa para sair e precisa ser substituída no trabalho”. Só que não.

No caso da gestante, em geral existe uma previsão da sua saída. Claro que emergências acontecem: pode ser que ela tenha que se afastar de repente para ficar em repouso ou o bebê pode nascer antes do previsto. Ainda assim é possível prever alguma janela de tempo em função das semanas de gestação e do acompanhamento da sua saúde.

Mas veja como foi minha experiência de licença maternidade por adoção. Eu sabia que a chance de meu marido e eu sermos chamados em 2016 era grande, e por isso, logo após a virada do ano, ficou decidido pela minha empresa contratar alguém por meio de uma agência de recrutamento para cobrir algumas das minhas funções durante meu afastamento.
“Oi, tudo bem? Meu nome é Ana Luísa e sou diretora de marketing. Preciso contratar uma pessoa para me substituir parcialmente durante minha licença maternidade. Vocês podem me ajudar?”

“Sim, claro, Ana. Quando é sua previsão de saída?”

“Bem… Eu devo sair em uma data ainda não definida, quase com 100% de certeza em 2016, e com grandes chances de ser entre março e outubro”.
… (silêncio do outro lado da linha).

Essa conversa aconteceu mesmo. Pela primeira aquela agência lidaria com o desafio de contratar uma pessoa sem previsão de data para começar. Os tempos de crises ajudavam, afinal havia muita gente boa sem trabalho e disposta a flexibilizar suas exigências, mas a empreitada não era fácil. O resultado foi que a empresa precisou rever sua metodologia e criar um novo processo de contratação para atender ao meu caso.

Voltando ao caso da gestante: é possível prever que ela não poderá mais viajar de avião aproximadamente após o 6º mês de gravidez. Já para mim, mesmo sabendo que seriam altas as chances de minha vez chegar em 2016, não era possível afirmar quando eu seria afastada, de modo que minhas viagens profissionais de todo o primeiro semestre, inclusive internacionais, foram programadas, tendo as passagens que ser canceladas mais tarde, sem que a empresa pudesse ser reembolsada.

E não é só no âmbito profissional que os procedimentos e informações são definidos no automático ‘maternidade = gestação’. Em muitos casos, assume-se abertamente que a única maneira de se ter filhos é tendo dado-os à luz, como pude perceber ao responder à seguinte pergunta de um questionário para fazer uma ultrassonografia em um laboratório:

Tem filhos?        (X ) Sim. Quantos? 1                      (   ) Não.

Lá fui eu, toda orgulhosa, pela primeira vez, marcando ‘sim’. Cena seguinte: a médica, antes de me examinar, pergunta: “Vi que você tem um filho… Seu parto foi normal ou cesárea?”.

Sem perder o bom humor, respondi: “Doutora, minha filha foi adotada. Acho que o questionário está mal formulado…”.
Isso sem falar na expressão de surpresa de muitas pessoas quando descobrem que mães por adoção também têm direito à licença maternidade: “Puxa, que bom, adoção também dá direito?!…”

OK, a extensão da licença à mãe adotante é relativamente nova, de 2002, mas conceitualmente a licença é maternidade e não licença-gestação ou licença-parto. Os pais por adoção precisam MUITO oferecer tempo e disponibilidade para que o vínculo com seu filho, até então inexistente, seja formado. Aliás, independente da idade, qualquer criança adotiva sofreu rupturas e pode ter um lapso emocional que precisa ser cuidado. Não consigo imaginar como seria se eu não pudesse passar esses primeiros meses em função da Gabriela, não apenas a conhecendo e às suas necessidades, como também me descobrindo no novo papel. Tenho certeza que o desenvolvimento incrivelmente acelerado que ela apresenta desde que está conosco, há pouco mais de três meses, tem muito a ver com a segurança que minha presença constante pôde proporcionar.

A boa notícia é que, com flexibilidade e tranquilidade, mas sem deixar de colocar o cenário “desconhecido” para o outro, de maneira geral as coisas se resolvem. Foi assim que tanto para a ficha do pediatra quanto para a matrícula na escola, explicamos o caso e pedimos que Gabriela fosse chamada pelo nome que tem desde que está conosco e que é diferente do da sua documentação, até termos sua guarda definitiva, o que deve acontecer nos próximos meses.

Sei que ainda está só começando e que ainda vou me deparar com outros exemplos como esses, afinal eu sou mãe há pouco mais de três meses. Mas achei importante levantar a discussão sobre adoção também ser uma forma de maternidade.

Que bom que ela existe e que permite não apenas que mulheres como eu possam realizar seu sonho de ser mães, como também proporciona um futuro para crianças e adolescentes que não têm chance em suas famílias biológicas.





UBAV COMENTA:
Temos a grata  satisfação de possuir em nosso grupo de amigos, pessoas que exercem o sentimento de amor materno através da adoção. O mundo necessita de mais iniciativas desse nível, pois está carente de amor.

Eu, mesmo, depois de ter a minha vida resolvida, estar só e com netos, pensei seriamente em assumir a doce responsabilidade de ser PAI, mais uma vez. Porém, não foi possível! 

Ao ler essa mensagem senti o dever solidário de compartilhá-la aqui no site e parabenizar as mães adotivas por suas iniciativas. A adoção é o exemplo maior do desapego e da solidariedade, onde fazemos o bem sem olhar a quem. 
Desejo sucesso para todas vocês mães adotivas ou biológicas. Observo que a maternidade é um dom incrível capaz de promover a evolução espiritual de quem a exerce plenamente. Maternidade não pode ser considerada somente um acontecimento final, fruto de uma noite de amor. Ela é o princípio de um novo amor: O amor de Mãe.


Um Brinde À Vida!

Tim-Tim!

Neo Cirne

Colunista de UBAV-Brasil

PALAVRAS ILUMINADAS - (QUINTA-28/07) - A Mensagem Positiva de Frei Jaime Bettega


Bom Dia!
Que a claridade deste novo dia alcance a alma. Não faz bem viver na escuridão da indiferença. Viver é escolher a luz. Vamos lá!


“E se os imprevistos lhe roubarem o chão, abra as asas.”



A vida necessita ser pensada e planejada. Quando não há foco, as energias se dispersam, o tempo não é bem aproveitado, os sonhos não alcançam a realidade. Porém, por mais que os planos estejam evidentes, os imprevistos não pedem licença para chegar e adentrar.

Alguns fatos roubam literalmente o chão. Por uns instantes, é impossível saber o que fazer para se recompor. Até assimilar a nova realidade e delinear possíveis saídas, o coração experimenta uma grande dor. Os imprevistos colocam em cheque a determinação e a persistência. Nos momentos de provação, todos sofrem. Há quem prove até o desespero. Outros, porém, dão uma sacudida na tristeza e buscam novos cenários. Os imprevistos são como vendavais que não avisam quando da chegada. Simplesmente acontecem.

Claro, não há a necessidade de ficar espreitando o pior, nem achando que há uma nuvem de perseguição sobre a cabeça. Se algo não deu certo, se os planos fracassaram, se as portas se fecharam, ainda assim é possível abrir as asas e levantar voo. Não é uma questão de mágica. É bem exigente mesmo. Mas não adianta fazer muito alarme. Os imprevistos simplesmente chegam, independe da situação e da programação.

Apesar de tudo, a vida aguarda por continuação. Refazer-se e dar continuidade é muito mais do que uma dica; é um imperativo que pode favorecer outras conquistas. Se algum fato roubar o chão firme, as asas darão conta de nova opções. O que importa é continuar.

Bênçãos! Paz e Bem! Santa Alegria! Abraço!





Frei Jaime Bettega é o pároco da Paróquia Imaculada Conceição, em Caxias do Sul, linda cidade da serra gaúcha. Vale a pena vocês conhecerem esta joia do belo Estado do Rio Grande do Sul. Aproveitem para visitar a Paróquia Imaculada Conceição e receberem as bênçãos de Deus através de Frei Jaime Bettega.

Sua palavra vai ao ar diariamente no seu Facebook e está presente na grade de nossa programação, sempre as terças, quintas e domingos. É um prazer retransmitir as palavras de Frei Jaime Bettega. Bom Dia!

Frei Jaime Bettega OFMCap

quarta-feira, 27 de julho de 2016

“VIVENDO E APRENDENDO” - Criação da Vida e Vida após a morte - (A Visão Budista) - Por Neo Cirne

“VIVENDO E APRENDENDO”


- Criação da Vida e Vida após a morte -
(A Visão Budista)

O budismo explica a vida por meio do princípio do Kuon ou eternidade. Nitiren Daishonin esclarece esse conceito no “Registro dos Ensinos Orais”, dizendo: “Kuon significa não ser criado e nem adorado, mas permanecer na existência original”.

Nitiren Daishonin
Não ser criado nem adorado significa que a vida não é alguma coisa criada numa determinada época, mas que existe originalmente desde o infinito passado, é inerente ao Universo. Significa também que a vida em si não é algo que possa ser alcançado pelos nossos cinco sentidos. A vida não é uma realidade física viva. Embora seja possível ver os incontáveis aspectos físicos e espirituais da vida, é dificílimo compreender que a própria vida é efeito das incessantes transformações perceptíveis dela própria.

“Permanecer na existência original” significa que a vida tem existência eterna. Portanto, sobre o ponto de vista budista a vida existe desde o ‘infinito passado’ ao ‘infinito futuro’, alternando-se entre duas formas da realidade, que denominamos vida e morte.

Evidentemente, é mais fácil obter conhecimento sobre os seres vivos. Somos capazes de observar a aparência de uma pessoa e, baseados em nossas percepções de voz, expressões físicas e ações, podemos conhecer bastante sobre as funções espirituais que se desenvolvem em seu interior. Entretanto, quando se trata de morte, fica muito mais difícil explicar por que, nesse estado, uma entidade não manifesta nenhuma de suas funções físicas ou espirituais. Como ninguém consegue ver a vida nesse estado por meio dos cinco sentidos, muitos sentem profundamente que a vida desaparece completamente com a morte. Porém, na realidade, a vida continua a existir, modificando-se apenas o estado de sua existência.

Em “Diálogo sobre a Vida”, o presidente Ikeda dá a seguinte explanação sobre Kuon em termos de vida e tempo:

‘A essência da vida cósmica, provocando as mudanças fenomenais do crescimento, maturidade, declínio e kuu, expande-se no infinito do espaço-tempo. Expande-se devido ao Kuon, que está contido nas profundezas do Universo nesse exato momento, e ao afloramento da energia cósmica denominada Nam-myoho-rengue-kyo. O mundo real existe num único momento presente - não no passado ou no futuro.'

A folha de balanço do carma de uma pessoa, formado durante a vida atual, decidirá o grau de prazer ou dor que ela experimentará no período da morte. A duração desse período é também decidida pela folha de balanço do carma. Quanto mais leve o carma, isto é, quanto mais elevada a condição interna da vida logo antes da morte, menor será a duração da vida no estado de morte. Terminado esse período, a vida novamente aparece no mundo e manifesta novamente as suas funções físicas e espirituais.

Quanto aos aspectos da “nova” vida, as diferenças individuais, tais como aparência, inteligência e talento; a família, que pode ser feliz, rica ou pobre; e os múltiplos aspectos da sua sociedade e da terra - tudo isso reflete agudamente o carma formado nas suas existências anteriores.



FONTE:
- Extraído do Livro Guia Prático do Budismo.
- Editora Brasil Seikyo (2002)


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OPINIÃO TIM-TIM!

Hoje trouxemos até vocês uma visão bem importante da existência da vida e da morte. Vimos a opinião budista sobre um tema delicado. Nela observamos que a vida é eterna, visto que é fruto da obra de Deus, criador do céu e da terra. Sei que para nossa cultura a visão dos povos orientais é sempre uma agradável surpresa, mas na conceituação de vida e morte somos bem parecidos.

 Acreditamos que a similaridade com os elementos químicos existente em todos os astros reafirma a infinitude do passado e do presente. Nesse longo espaço de tempo vamos transitando e modificando nossos carmas, porém levamos em nossos corpos os mesmo elementos químicos existentes em qualquer parte do Cosmos.

Acredito, piamente, que a vida não pode ser observada apenas com a limitação dos cinco sentidos, há algo a acrescentar na formação da vida.  Esse algo, que é indispensável à vida, só pode ser a manifestação espiritual, que interliga todos nós e conecta-nos com o Universo, ou seja, com Deus.

Deus não faria uma obra que fosse finita e não tivesse uma razão para existir. Certamente, a razão passará pelo nosso aprimoramento espiritual.
Portanto, a vida continua, mesmo que alguns neguem ou desconsiderem as Leis Universais. Somos todos irmãos, sejamos católicos, budistas, espíritas, ortodoxos, hinduístas, protestantes, adoradores de qualquer religião ou ateus. Somos constituídos de matérias idênticas que podem ser encontradas aqui na Terra ou em qualquer outra galáxia.

A conexão entre as pessoas, os animais, a flora, a natureza, enfim, entre todos, é perfeita. Tudo que fazemos de bom e de mal reverberará em nós, seja positiva ou negativamente. 

A vida só podia ser uma obra de Deus, portanto, apressemo-nos com o nosso aprimoramento. Façamos o bem e agradeçamos ao Grande Arquiteto dessa grande obra.

Que Deus abençoe a todos nós!

Tim-Tim!


Neo Cirne

Colunista de UBAV-Brasil

LIRA POÉTICA - - A poesia de Vinícius de Moraes e Augusto Cury - - Por Neo Cirne

LIRA POÉTICA



Olá amigos! Hoje apresentaremos duas poesias especiais, uma do grande mestre do Amor, Vinícius de Moraes - AUSÊNCIA. A segunda, SONHOS, pertence ao querido amigo de UBAV-Brasil, Augusto Cury, brilhante escritor contemporâneo.

Vamos começar bem o dia, não é verdade? Então, vamos lá! 
Desejo um dia bem feliz para todos vocês.



PRIMEIRA POESIA


Ausência



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.


Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.

Eu deixarei... Tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas, serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

Vinícius de Moraes (1913-1980) foi um poeta, compositor, dramaturgo, jornalista, roteirista e diplomata brasileiro. Sua música "Garota de Ipanema", composta em parceria com Tom Jobim, é uma das mais importantes canções da história da música brasileira.





SEGUNDA POESIA


OS SONHOS

Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão.

Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua.

Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes.

Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações.

Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica.

Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar.


Augusto Jorge Cury (1958) é um psiquiatra e escritor brasileiro. Um grande orientador motivacional, possuidor de uma capacidade notável de produzir grandes livros. É o idealizador da Escola do Pensamento, uma nova forma didática de pensar a vida. Augusto Cury foi o autor da frase campeã do 6º Concurso de Frases de UBAV-BRASIL, em 2011, foi agraciado com uma 'placa comemorativa' pela conquista do feito. O brilhante escritor nos recebeu em 2012, em sua escola, na cidade de Ribeirão Preto/SP, concedendo-nos um momento inesquecível. A foto da placa, acima e o momento da entrega, abaixo. 

Neo Cirne e Augusto Cury
- Março de 2012 -
  


A seção de poesia, Lira Poética será editada uma vez por mês, sempre na última semana. Achamos que a poesia, assim como o amor, está em falta nos dias violentos e globalizados que vivemos. Infelizmente, devido à condição humana, falar de amor e poesia não reverbera tanto quanto falar de hostilidade e violência. Precisamos mudar essa condição que atrasa e separa a humanidade.

Abra o seu coração e deixe a poesia entrar, só isso será um grande passo para um futuro melhor.

Tim-Tim!

Neo Cirne
Colunista de UBAV-Brasil

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