quinta-feira, 7 de abril de 2016

TUDO SE TRANSFORMA - Comentários sobre espiritualidade - Por Neo Cirne

'Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma', disse o ‘Pai da Química Moderna’, o francês Antoine Lavoisier (1743/1794) e lembrando sua frase imortal falarei um pouquinho de um tema controverso para muitas religiões, a imortalidade e reencarnação. Existem grandes tratados médico-científicos que tratam das experiências de post-mortem, uma delas é a reencarnação.


Não quero nesse pequeno espaço defender essa ou aquela experiência sensitiva e sim, basear a minha pequena tese na minha experiência pessoal com o fato.


Em 1993, no dia 20 de julho, minha querida filha, Ana Lúcia (13) e sua mãe, faleceram. Foi um trauma terrível, que eu e minha filha Luciana (15), tivemos que passar. A missão de pai e protetor tomava quase todo o meu tempo, mesmo assim eu tinha que continuar a tocar a vida. Passados quase dois meses do fato eu fui procurado no meu trabalho por uma senhorinha, que aparentava ter uns setenta anos. Ela queria me falar e eu estava muito ocupado. Não pude de imediato dar-lhe atenção, pois estava em atendimento, na metade de um procedimento cirúrgico-odontológico. Pedi, então, a secretária do setor de cirurgia, que pedisse à senhora que aguardasse uns 15 minutinhos. O tempo previsto por mim avançou, depois de quase uma hora, após medicar a paciente e despedir-me, fui ao encontro da senhora na sala de espera. Procurei-a, e nada. Ela não estava mais lá. Chamei a atendente e perguntei por ela. Contou-me que ela aguardou um bom tempo e que enquanto a atendente se ausentou momentaneamente do ambiente, ela saiu. Estávamos quase no fim do expediente diário.

Perguntei se ela sabia do que se tratava. O que a senhora desejava falar comigo e ela, disse que não sabia: - Ela queria falar com o senhor, sentou-se e aguardou um bom tempo. Fiquei triste, mas não podia me ausentar do campo cirúrgico, por isso pedi-lhe que esperasse pacientemente. Não foi possível.


Dirigi-me ao vestiário e troquei-me. Peguei minha pasta e quando estava me dirigindo ao estacionamento para pegar meu carro, a atendente passou por mim e disse: - Dr. Cirne, eu voltei lá na sala e a senhorinha estava lá, sentada lhe aguardando. Retornei e fui ao seu encontro. Na sala de espera apenas aquela senhora, pequena e com um véu branco sobre a sua cabeça me aguardava. Ao vê-la, disse:

- Boa tarde, senhora. Pois não, quer falar-me?
Ela, tirando o véu, disse-me: - Sim. Preciso falar com o senhor. O senhor não me conhece e nem eu conheço o senhor, mas eu conheci sua filha.
- Sim, a Luciana. Falei.
- Ela, antes de me responder, perguntou-me qual a minha religião, disse-lhe ser católico, mas grande apreciador dos fundamentos espiritualistas.
Ela sorriu e disse, só podia ser sua filha! Assim como o senhor, ela tem muita luz. Obrigado por receber-me.
Agradeci e disse: - É verdade, a Luciana parece muito comigo, e completei, aliás, as duas filhas, tanto a Luciana quanto a Ana Lúcia.

Quando falei o nome da mais nova, ela pegou o meu braço com firmeza e disse: É sobre sua filha mais nova que desejo falar com o senhor.
- A Ana Lúcia?
- Sim, sobre a ‘Aninha’. Imagine doutor, que esta noite, após a minha oração das 18 horas, sua filha apareceu na minha sala. Ela chorava e me pedia ajuda para localizá-lo e transmitir um recado. Espero que entenda que sou médium de efeitos físicos e que esta não é a primeira vez que recebo a visita de irmãos que estão querendo manter contato. Ela me deu seu nome e o endereço do trabalho, disse-me que era dentista. Por isso estou aqui, para cumprir uma missão espiritual e a vontade de sua filha.

Mesmo sendo espiritualizado, fiquei atônito. Sentamo-nos e ela me passou uma anotação psicografada por ela, que dizia:



- Paizinho querido, eu sei da dor que está sentindo no momento e da importância que você terá para a Luciana. Muitos caminhos surgirão nas suas vidas, mas a união e o amor de vocês será a fórmula para o sucesso. Em breve, pai, você será avô (três anos depois veio a primeira neta) e ficará mais feliz. Eu estou bem, mas precisava falar com você, pois sei o quanto você tem sofrido com a nossa partida. Creia, pai: estamos bem.

Mamãe está em tratamento preparando-se para continuar a sua evolução. Eu estou bem e talvez, em breve, retorne. Não sabemos para onde, mas pode ser que consiga voltar para mesma família. A vida continua paizinho, só que com outros valores. Dê um beijo na Lu e diga-lhe que sinto saudade das nossas brincadeiras.

Daqui uns anos o senhor será importante na vida de muitas pessoas e terá grandes amigos. Muito obrigado, paizinho, por tudo que fez por nós e por todo amor que nos proporcionou.

Um beijo de sua filha 

Ana Lúcia



Como não podia deixar de ser, caí em pranto, chorei muito e aquela senhorinha me abraçou comovida. Pois a mão sobre a minha cabeça, nesse momento acalmei-me. Peguei a cartinha e guardei comigo por muitos anos. Pedi o endereço da senhora, mas ela disse que voltaria pra me visitar...

Nunca mais soube qualquer notícia dela. Mostrei a carta a minha filha, que, assim como eu, chorou, mas compreendeu que a vida é feita de etapas e que a morte não é o fim de tudo, é apenas uma fase, uma transformação. Se fosse só uma fase descontínua, a vida não teria a menor graça. E Deus não falha, ele faz tudo de maneira justa e perfeita. Se tiver dúvida da dimensão e do tamanho da Obra de Deus, olhe para o céu e contemple as estrelas, os planetas, as galáxias. Todo Cosmos, enfim. Este é o tamanho de sua obra e estamos aqui, trocando nossas ‘cascas’, por muitos e muitos anos, até encontrarmos o verdadeiro aprimoramento.

A vida é um eterno aprendizado, um desdobramento químico intenso de emoções e acontecimentos. Antoine Lavoisier, citado no início desse comentário, era um ser de luz, que mostrou caminhos e afirmou com convicção que ‘Na natureza nada se cria, nada se perde... Tudo se transforma!’. Quando as luzes se apagam e as cortinas do ‘teatro da vida’ se fecham, teremos um tempo para analisar o nosso legado de bondade ou de maldade deixado aqui. Não esteja aqui simplesmente, faça a sua vida valer a pena. Brinde a vida e agradeça a Deus.

A vida continua meus amigos, vamos viver com sabedoria e com orgulho de sermos tripulantes dessa linda nave, chamada Terra... Cuidemos dela.


Tim-Tim!


Neo Cirne

Colunista de UBAV-BRASIL

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