sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

‘Parole... Palabra... Palavra’ - - O comentário do dia - - Por Neo Cirne

‘Parole... Palabra... Palavra’


- Por Neo Cirne -



A palavra encanta a nossa vida. Ela às vezes machuca, condena, aconselha, instrui, promove, engana, envolve e convence. Uma palavra poderá mudar o nosso destino ou salvar uma vida. Palavras sãs, palavras vãs, palavras que vão, palavras que voltam, palavras pequenas, palavrões, palavras sem nexo, palavras construtivas, palavras amenas, palavras apenas, palavras simples, palavras rebuscadas... Palavras do mal e palavras do Bem. Seja em italiano (parole), em  espanhol (palabra) ou em português (palavra), quando a palavra é demais o vento leva e quando é sincera ela fica incorporada à sua natureza, sua essência.


A fonação é um dos sentidos mais utilizado pelos humanos. Quando nascemos emitimos os primeiros sons, são os nossos choros e gemidos que, aos ouvidos da mãe, pertencem ao rol da comunicação do neném. A mãe é a nossa primeira confidente e amiga, ser de luz que sabe tudo de nós, pois somos parte dela, é a primeira a nos entender. Amamos este entendimento, pois este mundo, nos primeiros dias é totalmente desconhecido por nós. 


Ninguém nasceu falando, como na "Curiosa história de Benjamin Button" (filme excelente estrelado por Brad Pitt)... Chegamos ao mundo sendo colocados de cabeça para baixo e com uma bela palmada na bunda carimbando nosso ingresso no mundo, por isso choramos.

Para quem ficou numa boa, durante nove meses, protegido por numa “piscina” de água morninha, sendo nutrido a todo instante. Agora, tudo mudou. Sentir a dor da primeira respiração, o vazio do afastamento do ventre materno e a necessidade de pedir o alimento sem saber falar, fez do chorar a única opção. O choro é considerado como o primeiro momento de comunicação com o mundo exterior, um recurso extremo. Com ele chamamos a atenção de nossos pais e mais tarde, chamamos a atenção do mundo. Quando nos aproximamos de um ano de vida, possuímos, aproximadamente, 15 palavras. Daí pra frente, a comunicação fica estabelecida e vamos aumentando o vocabulário. Crescemos, nos socializamos com outras crianças e brincando damos as primeiras opiniões sobre os acontecimentos do mundo. A partir deste momento, não paramos mais de falar.

Observamos que o falar é bom e necessário, mas tudo o que falamos é relativo. Pode agradar ou não.  Não existe unanimidade nas opiniões. O que para mim pode ser ruim, para outros pode não ser tão mau assim.


As pessoas são diferentes mesmo. Verbalizam suas angústias e suas alegrias cada uma ao seu jeito. Falar é natural e faz parte de todo o processo de comunicação. De acordo com a região do país, vamos acrescentando características na emissão dos sons e criando novas palavras. Aqui no Brasil é muito fácil observar as expressões regionais. 


Você é capaz de conhecer de pronto, ao ouvir uma conversa, a região onde a pessoa mora. 

Se uma pessoa diz: UAI, SÔ! QUE TREM BÃO! - Onde será que ele nasceu, ou mora? Ele nasceu em Minas Gerais. 




Se outra pessoa chega e diz: BAH! ISTO É TRILEGAL! - De onde ela terá vindo? Com certeza, do Rio Grande do Sul. 






Se diz: VIXE MÃINHA! AQUELE CABRA TÁ ME APERREANDO! - Naturalmente terá vindo do nordeste, aliás a cultura nordestina é a que possui o maior número de palavras criadas e adaptadas no seu dia a dia. 
Poderia também falar do Rio de Janeiro, de São Paulo e de muitos outros lugares do brasil... São muitas palavras e muitas as características regionais.


Com o advento da internet e das redes sociais, o ser humano trocou a palavra falada pela palavra simplificada, escrita 'não formal' e feita de maneira mais ágil, facilitando a comunicação do jovem. 

As crianças sentem-se atraídas pela tecnologia da informática. Inicialmente apreciam os desenhos e cedo, quando deviam estar brincando no parque, estão isoladas com um ‘tablet’ ou ‘smartphone’ nas mãos. As palavras ganharam vida intensa, mas perderam um pouco do sentido, pois além da supressão da grafia que confunde muito, o cérebro dos mais antigos, que custa a se adaptar ao ritmo intenso das palavras. 

Falar presencialmente passou a ser um momento raro. Quantos namorados jovens nós vemos por aí namorando sem deixarem de lado as redes sociais. Às vezes, eles estão um ao lado do outro, mas comunicam-se ao celular, digitando sem parar.
O ser humano tenta se adaptar ao ritmo intenso das palavras observam que os dias passam mais rapidamente. Sabemos e falamos coisas que acontecem no mundo inteiro como se isso fosse absolutamente necessário. Criamos um padrão e separamos as pessoas entre as que curtem este excesso de palavras e as que não abrem mão de saborear a vida mais devagar, com maior prazer.


As palavras são tantas que perdemos o controle da situação. Acho até que nós todos gostamos de regras rígidas para estabelecer a fala. Apreciamos colocar todo mundo numa estatística, rotular os acontecimentos e o jeito de falar das pessoas. As regras rígidas da fala nos dão a falsa impressão de segurança. Detestamos surpresas e novidades. Qualquer novidade tende a ser vista como imprevisto e é tida como contratempo.

Nunca se falou tanto como nos dias globalizados em que vivemos. Mas observo que quanto mais falamos, menos nos entendemos. Procure estabelecer um dia por mês para você sentir o sabor do silêncio verdadeiro. Fale pouco e faça anotações do seu dia. Depois, compare-o com os seus dias comuns, onde as palavras são esbanjadas nas redes sociais ou presencialmente. O resultado será positivo a favor do silêncio, pois, antes de tudo, ele acalma.


Sabemos que a vida é dinâmica e ela vai continuar mudando independente da sua vontade. Nós não somos iguais apesar de sermos semelhantes. Não sou contra ao ato de conversar e gastar as palavras com os amigos. Sou contra, sim, a ficar com a cabeça cheia de palavras que não levam a nada, trazidas pela mídia atual e acharmos que tudo é verdade. 

Às vezes, falamos até o que não devemos. Como dizer a alguém que ama sem estar apaixonado. Blasfemar ao que considera sagrado ou fazer uma intriga, uma fofoca. Estes são alguns dos exemplos do mau uso da palavra. 

Entendemos que somos diferentes, cada um possui a sua própria vivência. Fomos expostos a diferentes experiências, estímulos, percepções. Portanto, cada um de nós está numa trajetória única dentro da evolução e têm a necessidade de comunicar sua emoção ao mundo.

Os donos da tecnologia da comunicação desejam possuir o poder uniforme das nossas mentes, tratam as pessoas como robôs, para incutirem como verdades suas opiniões e produtos. Mas, para quem usa a palavra de maneira equilibrada e racional, sempre haverá uma resistência positiva. As palavras, quando usadas em demasia, cansam e perdem o seu valor.



Por isso, use com moderação as suas palavras escritas. Fale palavras positivas. Socialize-se, mas não encha a caixa de mensagem dos seus amigos com assuntos desnecessários. Procure pensar mais no que você diz. Isso poderá lhe trazer mais paz de espírito, por não falar uma palavra errada em momentos importantes da vida. Não seja escravizado pela tecnologia da informação. Nem tudo que é escrito ou divulgado é verdade.

Existem horas em que o velho ditado “O SILÊNCIO É DE OURO, A PALAVRA É DE PRATA” tem absoluta razão. Vale também para a palavra escrita nas redes sociais. Compartilhe coisas e fatos que valham a pena, atenção com o lixo que você coloca na sua mente. Recicle-se! Portanto, não se esqueça: valorize mais a sua palavra, seja falada ou escrita, volto a dizer. Lembre-se de falar em Deus sem impor conceitos e diferenças entre as religiões. Deus é único para todos. Aceite, também que cada uma cultura tem o direito de venerar a Deus da forma que desejar. A aceitação e a tolerância são as palavras do século. Pense assim, com isto você será muito mais feliz.


‘Parole’... ‘Palabra’... ‘Palavra’, seja em que idioma for, use sempre com moderação. Substitua a palavra pelo gesto positivo e pelo amor presencial. Habitue-se a falar de coisas boas. Diga não à violência. O mundo precisa de amor e de atitudes positivas.


Tim-Tim!

Neo Cirne

Colunista de UBAV

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