quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O CHEIRO BOM DO NATAL - - - Por Neo Cirne

O dia que antecede ao Natal é muito especial, hoje as famílias organizam suas ceias, os presentes, saúdam os amigos e, a noite, reúnem-se para receber de maneira plena a emoção de ver a família unida e alegre. Ficam felizes com a data que lembra o nascimento de Jesus de Nazaré.

As famílias procuram fazer pratos saborosos e tradicionais. Hoje, pela manhã, bem cedinho, meu quarto foi inundado por uma onda deliciosa, um cheiro bom que vinha da cozinha. Olhei o relógio e vi que eram oito horas da manhã, nas férias sempre acordo mais tarde. Não é possível que a essa hora minha filha já esteja na cozinha, pensei.


Sem querer deixar de lado o delicioso momento que me despertava, rolei na cama e tentei dormir um pouco mais. Qual o quê! Não consegui... As oito e meia levantei-me, desci as escadas e fui em direção à cozinha. E encontrei uma senhora morena 'pilotando o fogão' e cumprimentei-a com um sonoro bom-dia, inundado de desejo em observar os pratos que ela confeccionava. Imaginem vocês que, em pouco tempo, ela já havia preparado os pratos principais, além de uma deliciosa farofa. Fiquei impressionado com a sua ligeireza. Tive vontade de provar de tudo um pouco, mas controlei-me e tomei somente um cafezinho com 1 fatia de torrada.


Admirado com a capacidade em elaborar pratos tão cheirosos comecei a bater um papo com ela. Queria saber um pouco mais sobre aquela pessoa cujas mãos considerei mágicas. Ela me disse que seu nome é Regina, tem 53 anos, mora em Xerém, na 'Terra do Zeca Pagodinho' e que, para chegar onde minha filha mora, no Recreio dos Bandeirantes/Rio, teve que pegar três conduções, já lotadas de trabalhadores. Saiu de casa as 4:00 e chegou as 6:30, começando sua tarefa de confeccionar os alimentos e preparar a ceia de natal.


Gente, vocês não podem imaginar a habilidade culinária da Dona Regina. Agora, é esperar a hora da ceia. Por outro lado, fiquei pensando, quantas pessoas legais e cheias de dons passam pela nossas vidas e às vezes, nem damos muita importância. Acho tão legal este hábito que possuo, de conversar com as pessoas, de saber um pouco mais de suas vidas, como vivem, do que gostam e principalmente dos seus sonhos.

Acho que sempre fui assim, um odontólogo, meio sociólogo ou psicólogo. Gostava de conversar com meus clientes e saber um pouco mais de cada um, principalmente seus sonhos e medos. A consulta terminava na hora, mas o papo sempre deixava um gosto de 'quero mais'. Mesmo morando sozinho não me sinto só. Tenho amigos leais em todo o país, trocamos ideia e conversamos assuntos ligados ao nosso dia a dia.

Estes são amigos maravilhosos, realmente especiais, que não posso dispensar. Abrir mão de um amigo é morrer um pouco mais rápido. Um amigo sincero possui grande valor para todos nós, principalmente para quem optou por viver só.

Depois do papo que bati com a Regina, comecei a sentir como se a conhecesse há muitos anos, tamanha a identificação que tivemos. Um papo animado e gostoso. Subi para trabalhar o site.


Agora, as onze horas, ela acabou de aprontar um pratão de rabanadas e gentilmente veio me levar um pratinho, com duas unidades para que eu provasse. Disse-lhe que eu adorava, mas que era diabético e não podia me exceder comendo suas iguarias. Ela sorriu tristemente e já ia voltando pra cozinha, quando eu lhe disse: - Espere Dona Regina, vou provar uma... Hummm! Que delícia!

Ela me olhava com o prazer de quem cozinha e quer ver o resultado do seu prato. Percebendo minha satisfação, sorriu, deu meia-volta, e desceu as escadas. Larguei o que estava fazendo e fui atrás, rapidinho, e completei: - Pera aí Dona Regina! Você está levando a minha outra rabanada... Ela sorriu, plena de satisfação.

Assim é o Natal, um momento de exceção, em que quebramos nossas regras diárias, sobre a proteção de Deus. É que às vezes, muitos anjos, como a Dona Regina, surgem para dar mais sabor as nossas vidas. Depois que deixou a cozinha limpa e aprontou a mesa da ceia, partiu. Retornou ao seu lar, onde agora ela tinha uma outra missão, preparar a ceia de sua família.


Obrigado, meu Jesus, por ter conhecido uma pessoa tão legal. 


Senhor Jesus, confesso que, a não ser pela lembrança do Seu nascimento e da Sua importância em minha vida, sempre achei esse negócio de dar presentes na noite de Natal uma bobagem imensa. Muitas crianças ganham presentes caros, enquanto outras, por diversos motivos, não recebem nada. Nesse aspecto acho a história consumista de Papai Noel é muito injusta, ridícula e sem propósito.

Lembrar Jesus Cristo é sempre muito bom, mas a história do bom velhinho Papai Noel, que desce por uma chaminé, com um saco cheio de presentes, nos dias de hoje é ridícula. Num país onde milhões de crianças não tem nem o que comer, que passam as férias lembrando da merenda escolar, não pode ter muito sentido. E, além do mais, aqui no Brasil, as casas nem tem chaminé, por onde o Papai Noel vai entrar?


Desejo a todos um Natal bem gostoso, com Jesus no coração e pleno de amor.


Aqui em casa, não temos um "Papai Noel" e sim, um "Papai Neo" ou um "Vovô Neo", e isto é mais do que suficiente.


Tim-Tim!


Neo Cirne
Colunista de UBAV-BRASIL




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