sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE - - A Mensagem do Dia - - Por Padma Samten

Ciência e Espiritualidade


“Ter a mente aberta, sem se apegar a uma verdade única, é o que nos torna capazes de ver além das aparências.”

- Por Padma Samtem -

A Ciência e a Espiritualidade parecem campos longínquos ou mesmo opostos. Há o campo do conhecimento confiável, testado na experiência concreta, reprodutiva a qualquer momento. A água ferve a 100 graus e congela a zero. Sendo a água, a temperatura e a pressão atmosférica as mesmas, o resultado é igual, em qualquer lugar, a qualquer hora e com qualquer pessoa. Parece não haver espaço para especulações filosóficas, psicológicas e muito menos espirituais no campo da ciência.

Isso é um engano. Em qualquer livro de história da ciência vamos encontrar uma lista enorme de visões que foram respeitáveis e se tornaram ultrapassadas. Como pode o filósofo René Descartes acreditar que o número de planetas do sistema solar estava associado aos números de sólidos regulares na geometria? Como o pensamento de Aristóteles pôde perdurar por séculos até Galileu Galilei provar que não importa o peso de um objeto, pesado ou leve, todos caem na mesma velocidade?

Sim, existe o papel da mente. Nosso mundo interno dá vida e realidade às aparências que chamamos mundo externo - mesmo com os cientistas. Quando mudamos por dentro, o nosso passado muda e também o presente e o futuro. Mudam as explicações, também as fotos, a conexão com as pessoas. Por que elas se transformam sem cessar?

Há a espiritualidade. Buscamos incessantemente a felicidade e queremos superar o sofrimento. Isso nos leva a buscar intensamente a terra pura e perfeita onde isso seria possível. Como um pássaro, hoje nós estamos pousados em uma situação e temos um nível de segurança. Ainda assim percebemos a presença do desiquilíbrio e da aflição e nos preparamos para voar. Somos seres vagueantes, andarilhos sem descanso e sem rumo seguro. Cientistas, filósofos e psicólogos, curadores e regentes do mundo, todos passam por transformações. Também nascem e morrem. A inevitabilidade dessas mudanças é o ponto que nos une na busca pela transcendência.

Buda mostra que o engano cria as aparências. E essas aparências, quando brotam do engano, são impermanentes. Isso gera a insatisfação, o que nos leva à mudança.

Há a lucidez. O engano cessa. As aparências surgidas a partir disso se revelam. É a mente que todo cientista sempre buscou: aquela que leva adiante o conhecimento. É ela que vê além do que já existe, que encontra soluções e que é livre das próprias disposições internas.

Há a presença incessante. A mente estável, além das aparências, surge como uma experiência nítida que sempre esteve presente na vida, na morte e nos momentos de mudança. Quando dormimos há uma mente testemunha que não parece presente durante o sonho, mas é a que nos relatam essas imagens depois. É mais do que a memória, é a ação silenciosa que sustenta a aparência. É mais do que a memória, é a ação silenciosa que sustenta a aparência mágica daquelas que nos enganam. Ela mesma não aparece nos filmes, nos livros, na vida, mas se esconde nas aparências que produz.

‘Viver é o flutuar por esses campos complementares em sua complexidade e magia em busca da terra pura’.

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PADMA SAMTEM é lama budista. Fundou e dirige o Centro de Estudos Budistas Bodisatva, localizado em Viamão, RS.


UBAV-BRASIL agradece a Carolina Santos, amiga do Rio de Janeiro, que nos enviou esta mensagem do dia. A participação dos amigos, nos enviando artigos positivos e esclarecedores é sempre muito bem-vinda. Colaborem com UBAV-Brasil, mandem suas matérias que serão publicadas com muito prazer. Tim-Tim


Neo Cirne
Coordenador de UBAV



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