sexta-feira, 20 de novembro de 2015

MENTES APRISIONADAS - - (SAÚDE TIM-TIM) - - Por Ana Paula Souza e Comentário de Neo Cirne

"Mentes Aprisionadas"

- Ana Paula Souza - 


Com tratamento multidisciplinar, é possível driblar comportamentos nocivos 
e melhorar a qualidade de vida de quem sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)


Pensamentos negativos persistentes e indesejados roubam a atenção de tal maneira que é praticamente impossível se concentrar em outra coisa. Não adianta se esforçar para esquecê-los, é preciso fazer um ritual para evitá-los. Mas, o que pode parecer uma válvula de escape para um sentimento inexplicável é, na verdade, mais um elo de um ciclo de ansiedade sem fim. Aprisionada a mente segue temerosa de que algo ruim possa acontecer.

É nesta espécie de corrida contra o tempo que vivem a s pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Quem sofre deste transtorno psiquiátrico de ansiedade supervaloriza obsessões e pensamentos negativos e acaba desenvolvendo comportamentos repetitivos, as famosas compulsões, para evitar que se tornem realidade.
Nessa ciranda, as pessoas que sofrem do distúrbio veem a qualidade de vida e a vida social desmoronarem. 

" O TOC é um dos transtornos de ansiedade que afeta cerca de 4% da população mundial e que causa intenso sofrimento", afirma a Dr.ª Ana Beatriz Barbosa Silva, psiquiatra e autora do livro "Mentes e Manias: TOC - Transtorno Obsessivo-Compulsivo".

O problema pode aparecer em qualquer fase da vida, mas, em geral, dá seus primeiros sinais na infância e no início da vida adulta. De acordo com dados da organização Mundial de Saúde (OMS), o TOC está entre as dez maiores causas de incapacitação da população e é a quinta entre as dez principais causas de doenças entre mulheres de 15 a 44 anos.

Estima-se que, em média, uma pessoa que sofra de TOC demore cerca de dez anos para procurar ajuda. Isso acontece, em muitos casos, pela vergonha de revelar o que sente. "Os pensamentos são ilógicos, não fazem sentido. A pessoa sabe de sua "esquisitice", mas não consegue deixar de realizar os rituais, pois acha que se não os fizer algo de muito ruim acontecerá consigo ou com alguém próximo. Por isso, a vergonha de falar para os outros e de buscar tratamento", diz Marina Vasconcellos, psicóloga especializada em Psicodrama Terapêutico.




As causas específicas do TOC ainda não são conhecidas, mas já se sabe que aspectos psicológicos desempenham um importante papel no desencadeamento dos sintomas. Há também correlação de manifestação do transtorno com relatos de eventos traumáticos na infância, como abuso e morte repentina de familiares próximos.

"Certos traços de personalidade parecem desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de TOC como, por exemplo, pessoas com personalidades mais rígidas, perfeccionistas, com extremo senso de responsabilidade. A história familiar pode influenciar o desenvolvimento, mas o que se sabe é que o TOC não é hereditário", explica a psiquiatra do Hospital Albert Einsten, Márcia Marikawa.



TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR

Como em todos os diagnósticos psiquiátricos, o paciente precisa passar por uma investigação inicial para descarte de causas clínicas que desencadeiem ou mimetizem os principais sintomas de comportamento. O tratamento costuma incluir psicoterapia (a terapia cognitivo-comportamental, que é considerada muito eficaz nestes casos) e o uso de medicamentos psicotrópicos, principalmente antidepressivos que tenham ação serotoninérgica.

Como não é possível prevenir a doença, é fundamental diagnosticá-la e tratá-la o mais breve possível. Quanto mais tempo se passar sem o tratamento, pior será a sua evolução.

"É preciso vencer a vergonha e o preconceito, buscando ajuda o quanto antes. Conviver com uma pessoa portadora de TOC é extremamente difícil e angustiante. A família inteira passa a ser afetada. Por isso, é fundamental que todos nãos desprezem o problema. Quanto mais cedo der início ao tratamento, melhor será o resultado", salienta Marina Vasconcellos.


FONTE: REVISTA MUNDO VERDE 08/2015
AUTORIA: ANA PAULA SOUZA



Comentário Tim-Tim

Agradeço a possibilidade de transmitir algumas considerações sobre esta doença psiquiátrica que tanto incomoda milhares de pessoas. No fundo, eu não percebo muito a diferença entre um "TIQUE nervoso" e um "TOC", até então, para mim era tudo a mesma coisa. Eu já conheci dezenas de casos de pessoas que tinham tiques nervosos, uns eram bem interessantes, chegando a ser considerados hilários, mas eu que convivia com um coleguinha, o Ricardo, na Colégio Estadual Ferreira Viana, na Tijuca, naquela época era uma das melhores escolas do Rio de Janeiro e o tempo era integral. Na hora do almoço, no refeitório, eu podia ver o sufoco que o Ricardo passava para almoçar, já que sentávamos na mesma mesa. Parecia que seu braço, a cada garfada que levava à boca, tinha que ouvir ele chamar: "Vem cá!". Seu jeito de comer era assim: num primeiro momento, depois de encher o garfo com o alimento, ele esticava o pescoço, projetava a mão à frente e falava baixinho... "Vem cá!"... A mão trazia o garfo em direção à sua boca, só, então, ele pegava o alimento, como uma cobra que dá um bote... (lembra do desenho da menininha da propaganda do Claybom?...era igual).

Por ser seu amigo passei a observá-lo melhor e vi que o TOC não diminuía seu desempenho escolar, era um bom aluno, amigo e conversador, mas cheio de outros tiques nervosos. 
~~0~~

Um outro caso que quero citar é o de um excelente advogado, do Rio de Janeiro, que para se acalmar ele falava bem baixinho, a si próprio: "Rebola... Rebola"... E, em seguida, mexia as cadeiras... Juro que é verdade! Já faz muito tempo! São mais de 40 anos. Às vezes, até no meio de uma sustentação oral, ele mexia o corpo discretamente, rebolando as cadeiras. Esse TOC, TIC ou MANIA, não tirava o brilho de suas defesas, volto a dizer, o "Dr. Rebola" (como era conhecido) era um causídico brilhante.

Assim é a vida, vamos acumulando nossas manias e antigos hábitos, sem que se tornem patológicos. Já ouvi algumas vezes muitas pessoas dizerem: "Para vencer na vida a gente tem que rebolar muito!". Vocês já ouviram essa expressão? Pois é... acho que no fundo o doutor e o ditado têm razão... 


"Se para viver é preciso rebolar, vamos mexer as cadeiras, gente!" 





 Dizia uma antiga canção: "Mania é coisa que a gente tem, mas não sabe o por quê... Dentre as manias que eu tenho... uma é gostar de você"... Trecho da canção "Manias", de Dolores Duran, que gentilmente apresentamos na voz do inesquecível Tito Madi, ouçam e vejam que linda:






Até a próxima!


Neo Cirne
Fundador de UBAV

TIM-TIM!