quarta-feira, 1 de julho de 2015

FALANDO DE AMOR (XVI) - O AMOR NÃO É UM PRESENTE INFANTIL - Por Neo Cirne

FALANDO DE AMOR XVI

- O AMOR NÃO É UM PRESENTE INFANTIL -



O amor é um sentimento intimamente ligado à conquista e ao desejo. A embalagem que o envolve tem várias formas de apresentação. Uma delas se apresenta como um lindo presente infantil. Um grande pacote, enrolado em folhas coloridas, com um belo laço de fita. É tudo que a criança deseja. Contudo, este tipo de rótulo amoroso não é bom. Vejamos por quê:

Quando conhecemos uma pessoa que faz o nosso coração bater mais rápido e não é o nosso ‘personal trainer’, exigindo mais intensidade no exercício aplicado, talvez seja uma nova emoção amorosa que está pedindo licença para entrar em seu coração. 

Pode ser que ele chegue de repente e nos arrebate. Este você conhece, é  o tal ‘amor à primeira-vista’. Outros surgem através de uma conquista mais lenta e instalam em nós o desejo de posse. Passamos a desejar muito e exclusivamente aquele contato amoroso. Existem situações em que o desejo de posse é tão grande que temos ciúme tolos, como, por exemplo, ciúme dos pais, dos filhos e do colega de trabalho. Tudo isto é normal no desenvolvimento afetivo, no início todos se sentem inseguros com o novo relacionamento afetivo. 
Sabemos que o amor acontece a partir de várias situações, as mais diversas possíveis e pode fixar-se de maneira incondicional, para sempre. Sim, o 'amor para sempre' também é possível.


Muitos casais são formados a partir do 'amor à primeira vista'. Já, outros casais formam-se a partir de desejos simples, como: ‘quero pegar este gato’ ou ‘vou ficar com esta gata’. E, assim, eles flertam, ficam, namoram, experimentam-se e casam.  Resolveram acreditar no amor e constituir as suas famílias. Até aí, tudo certo!

 O problema não é o receber e dar amor, é a maneira com que tratamos esta doce emoção. Como administrar a emoção amorosa, mantê-la viva e dar-lhe longevidade. Sim, longevidade! Pois, tudo que queremos, ao conquistar um amor, é poder viver um período longo e feliz ao lado da pessoa amada. Aquela pessoa que 'conquistamos' e decidimos caminhar juntinhos, 'gastando o chão' até o fim dos nossos dias... É um presente este amor e temos de preservá-lo.

O “X” da questão é que muitos de nós não sabem apreciar um presente. Talvez seja um hábito, fruto da memória infantil, que abre o presente desejado e logo esquece. Transportar para a sensação amorosa o jeito infantil de curtir um presente não é a melhor maneira de tratar algo tão raro quanto o amor. Ele deve ser curtido e preservado com muito carinho. 

Primeiro, tiramos seu laço de fita e jogamos de lado. Depois rasgamos, afobados, o lindo papel e destruímos a caixa... Finalmente, ali está, diante dos nossos olhos o presente tão desejado. 
Brincamos com ele por dias, semanas, meses ou anos. Tudo vai depender da amplitude do seu desejo. Depois da criança saciar sua vontade de brincar, certamente ficará entediada e deixará o presente de lado.

 O amor do tipo ‘presente infantil’ é muito comum. Eu, sinceramente, não entendo porque dura tão pouco uma emoção como o amor, que era pra existir pra toda a vida. 


Quando duas pessoas se dispõem a unirem-se em matrimônio, carregam dentro de si o desejo da perenidade. O desejo de serem felizes para sempre. À medida que o tempo passa e amadurecemos, estas expectativas tendem a sofrer alterações. E aí? O que podemos fazer quando os objetivos comuns do casal passam a ser diferentes? 
Talvez a resposta esteja condicionada a uma releitura dos objetivos primordiais do casal e tentar reaquece-los. A releitura é uma atitude diferente do D.R. (Discutir a Relação). É reencontrar, sem mágoas, o caminho que uniu o casal e as causas que tornaram seus objetivos diferentes, tentando, em nome do amor, corrigi-las ou adaptá-las a um novo jeito de sonhar o futuro.  Mesmo quando a emoção amorosa se transforma a memória seletiva nos mostra o quanto acreditamos na possibilidade de restaurar os sonhos comuns. Avaliando os bons momentos, o casal acreditará mais e despertará do pesadelo de uma separação. Assim, voltará a caminhar junto, na alegria ou na tristeza, na saúde e na doença e com prazer. 

Para aqueles que acreditam que existe o “love forewer” - amor para sempre -, indicamos, nunca aceitar o amor como um ‘presente infantil’ e nem, tão pouco, como um ‘prêmio de loteria’. Pois, o ‘presente infantil’ certamente será destruído por nós e o ‘prêmio de loteria’ será totalmente gasto e esquecido. Ambos, depois, não existirão nem na memória do casal, caso haja uma separação.


Grande parte do sofrimento humano ocorre por sentir desejo, realizá-lo, e ter um instante de saciedade, que logo se transforma em tédio, e este, por sua vez, acaba interrompido pelo surgimento de um novo desejo. 

Arthur Shopenhauer, grande filósofo alemão do século XIX, achava que essa condição humana era universal: desejar, saciar-se, entediar-se e desejar outra vez... Não parece um presente infantil?
Entendo que nos cabe, como eternos amantes, administrar sem afobação o período do conhecimento enamorado e curti-lo bastante. As brincadeiras, os passeios, os desejos, os projetos comuns, por mais simples que sejam. Para depois, com sabedoria e saudade, superar esta dura etapa da chegada do tédio, que normalmente chega. 

Focando os momentos de carinho, amizade, cumplicidade e amor, usando-os em seu favor. Restauram, mais uma vez, o desejo de ficarem juntinhos, caminhando rumo ao futuro, plenos de amor. 

A criação de valores comuns (amigos, filhos e netos) e os bons momentos vividos manterão a chama do amor acesa por muitos e muitos anos. Talvez, para a nossa felicidade, por toda a vida!


Tim-Tim!


 Neo Cirne
Colunista de UBAV-BRASIL

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