sábado, 7 de fevereiro de 2015

A POESIA DA SEMANA - LOUCOS E SANTOS - Poesia de Oscar Wilde - Por Neo Cirne

Amigos, começamos a publicar uma nova seção que falará de poesia. Ela lembrará um grande autor e no final postaremos um vídeo com a locução poética citada. Sabemos que valerá a pena você acompanhar um pouco mais o pensamento poético. Isto é cultura! Entendemos que: 
“A Vida sem Poesia e sem Amor, tem gosto de isopor”.
Vamos terminar bem a semana apresentando em homenagem a todos os nossos amigos, a poesia “Loucos e Santos”, de Oscar Wilde. Tim-Tim!



Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam … dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.


A POESIA DECLAMADA
(por Juca de Oliveira)

Tim-Tim!




Neo Cirne