sexta-feira, 23 de maio de 2014

SAUDADE NÃO TEM IDADE - MULHER MARAVILHA, a eterna rainha das amazonas - Comentário Neo Cirne

Olá amigos, estou começando uma série de matérias para lembrar velhos momentos da sociedade. Vamos lembrar de seriados, acontecimentos positivos, objetos antigos, lindas canções que se perderam no tempo e outras coisinhas mais... Sei bem que tudo passa, mas a nossa memória ainda guarda alguns ícones bem legais colocados pela mídia da época e que ainda passeiam pela nossa lembrança. 

Como primeira matéria, quero fazer uma homenagem a mulher atual. Hoje em dia as mulheres mostram a sua importância e o papel fundamental que exercem na sociedade, concorrem em igualdade de condições com os homens em todas as profissões, embora algumas insistam em colocar-se numa situação de vítimas. A vida mudou, vocês mulheres não são mais as reprimidas, vocês são as construtoras e protagonistas da história moderna. 
Vocês destacaram-se nas artes, nos esportes, na ciência, na política, na administração empresarial, no trabalho comum e liberal. A mulher de hoje está perfeitamente integrada e ciente de suas qualidades. 

A mulher é um ser iluminado, maravilhoso e que, além de suas atribuições contemporâneas, encontra tempo para zelar dos seus filhos com a sua amorosidade peculiar. Daí, termos escolhido, este ícone da televisão da época dos anos 70, a Mulher Maravilha.

Mulher Maravilha.

A Mulher Maravilha foi criada em 1942 pelo Dr. William Moulton Marston, usando o pseudônimo de Charles Moulton. Ele achou inspiração para criar a personagem após conhecer a teoria do Dr. Ashley Montagu, chamada The Natural Superiority of Women (A superioridade natural das mulheres).

Harry G. Peter criou a imagem da personagem que conhecemos hoje, com roupas feitas a partir da bandeira americana, com estrelas no short, uma águia estilizada na blusa e uma capa com as listras da bandeira americana. No fundo era uma propaganda escancarada da superioridade americana, isto era uma balela. A mulher não, ela é uma afirmação positiva e presencial em nossas vidas.

É interessante citar que o Dr. Marston é o inventor do polígrafo, mais conhecido como detector de mentiras, aparelho usado pelo governo americano para verificar se um acusado dizia a verdade ou não. Esse aparelho foi muito utilizado em filmes de espionagem nos anos 60.

Lynda Carter ganhou o papel principal e o coração de milhões de adolescentes ao redor do 
mundo. A série marcou a atriz para sempre e sua imagem é a mais associada a personagem entre todas as existentes. Isso acabou por dificultar as coisas para Linda, pois os produtores de TV achavam que o público teria dificuldade em vê-la em outro papel.



Na série, Linda Carter é Diana Prince, princesa das Amazonas, membros de uma civilização onde os homens não existiam e as mulheres eram fortes guerreiras, praticando esportes radicais e duelos entre si. O Major Steve Trevor vai para na ilha e por pouco não é morto para que não revelasse a localização da ilha. Diana resolve ajudá-lo e vai trabalhar como secretária na aeronáutica, mas o Major não se lembra de sua verdadeira identidade.

A série com Linda Carter foi ao ar, nos EUA, em 12 de março de 1974 e saiu do ar em 07 de novembro de 1975. No Brasil ela foi apresentada pela Rede Globo no final dos anos 70.

Recentemente foi lançada em DVD a 1ª Temporada da série. Pra quem gosta vale conferir. Era um passatempo agradável que, além do gostoso desempenho de Lynda Carter ainda tínhamos o prazer de perceber a ascensão feminina subjugando a filosofia arcaica e machista de todos os tempos.

Vamos ver o que diz o site wikipedia da nossa querida heroína:

A Mulher-Maravilha (em inglês Wonder Woman) é uma super-heroína de histórias em quadrinhos e desenhos animados da DC Comics. Ela é a princesa de Themyscira (às vezes chamada de Ilha Paraíso), filha da rainha das amazonas, Hipólita. Sua mãe a criou a partir de uma imagem de barro, à qual cinco deusas do Olimpo deram vida e presentearam com superpoderes. Já adulta, foi enviada para o "mundo dos homens" para espalhar uma missão de paz, bem como lutar contra o deus da guerra, Ares. Tornou-se integrante da Liga da Justiça, assim como Superman e Batman. Foi a primeira heroína a ser criada, em 1941, pela DC Comics

É bom ver a mulher destacando-se por seus méritos, a beleza é só um detalhe. Aliás, um lindo detalhe... Viva a mulher! Todas vocês tem um pouco desta personagem que hoje destacamos... A Mulher Maravilha!



Tim-Tim!

Neo Cirne

"GRANDES MESTRES DA LITERATURA" - - A PIPOCA - - HOMENAGEM A RUBEM ALVES

Mais uma vez o Projeto Um Brinde À Vida, vem lembrar Rubem Alves, este grande escritor e educador brasileiro, que na sua visão ampla, completa e juvenil retrata nas cenas mais simples as grandes lições de vida. É sempre um prazer publicar um texto deste grande mineiro, nascido em Boa Esperança, em 15 de setembro de 1933, que dedicou grande parte de sua vida ao aprendizado e ensino de teologia e filosofia, matéria em que chegou ao título de Ph.D. pelo Princeton Theological Seminary. Apenas como curiosidade, Rubem Alves depois de aposentar-se, dedicou-se à gastronomia, tendo montado um restaurante de muito sucesso na cidade de Campinas, São Paulo.

Depois dos "Ipês Amarelos", mostramos aos nossos queridos amigos “A Pipoca”, um texto gostoso que prenderá a atenção de vocês. Rubem Alves foi o autor da Frase Campeã do 7º Concurso de Frases de UBAV-Brasil. Boa leitura!




A pipoca
Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á”. A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".



(O texto acima foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.)





RUBEM ALVES


TIM-TIM!

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