sexta-feira, 18 de julho de 2014

"NEO-DAY... Mensagem para um novo dia" (05) "O CONTO INFANTIL: A Linguagem dos primeiros sonhos" - Por Neo Cirne (reapresentação)

“O Conto Infantil, a linguagem dos primeiros sonhos”

Desde que o homem tentou sua primeira comunicação, inicialmente gestual, sem nenhuma regra para exprimir seus pensamentos, ficou estabelecida a vontade dos mais fortes. Assim como qualquer animal ele andava em bandos onde o mais forte sempre “ganhava no grito” e na força também, é claro. Com a evolução da espécie humana o homem começou a observar que a necessidade uma linguagem escrita para perpetuação de suas atitudes, para marcar seu território e o tempo de sua existência.

O homem na sua busca incessante pelo poder e sendo primordialmente nômade migrava daqui pra ali com seu bando em busca de alimento, água e segurança. A territorialidade era marcada por brigas e confusões, onde ganhava sempre o bando mais astuto e forte. Começava aí a dificuldade da administração de um grupo de pessoas.
Primordialmente cada bando tinha sua linguagem própria, ou seja, mesmo com muito boa vontade o confronto era iminente. Assim, o bando que perdia virava escravo do bando mais forte, outros grupos foram dominados, tornaram-se mais fortes, nações poderosas e grandes impérios.
Os povos do Oriente não entendiam os povos do Ocidente e, até os dias de hoje, não se entendem completamente. Sempre existirá um resíduo de mágoa, diferenças culturais e religiosas. Insatisfação de um ou de outro, para que aconteça a perfeita harmonia entre as nações há necessidade de interesses comuns, só a partir daí existirá boa vontade. Aí, então, a razão e o entendimento pleno acontecerão.

Se observarmos bem, veremos que há bastante tempo, os contos infantis estão presentes na educação dos pequeninos. Há séculos que as histórias são contadas para uma criança ou grupo de crianças e todas ouvem com muita atenção. Os contos sejam clássicos ou domésticos, como aqueles inventados por nossos pais, que nos embalava o sono tem um papel muito importante no desenvolvimento das crianças e na imaginação deles. "Felizes aqueles que foram embalados pelas histórias de seus pais ou avós, sentados na porta de casa, sob o brilho do luar e o silêncio da atenção de todos".
Recordo-me bem, meu pai na cadeira de balanço, contando velhos contos e antigas histórias. Muitas já repetidas, mas sempre existindo um detalhe à mais que meu pai, habilmente, acrescentava tornando mais engraçada a narrativa.
As fábulas ou contos de La Fontaine, de Esopo e de Monteiro Lobato sempre eram as mais contadas: A Cigarra e a Formiga, A Cegonha e a Raposa, A Galinha dos ovos de ouro, A Liga das Nações, de Lobato, que deixarei para contar no final desta matéria.

Odara BA, Representante de UBAV, encanta as crianças com a "História da Dona Baratinha" 
(observem a atenção das crianças)
Saibam que o ato de ouvir e contar histórias mexe com o imaginário ultrapassando o aspecto da linguagem educativa e prazerosa possibilitando também o resgate da memória afetiva, sendo vista como uma demonstração de afeto para a criança pequena. Existem muitos outros aspectos acolhidos por uma atividade tão simples quanto esta, a de “Contar Histórias”, em algumas ações sociais desenvolvemos este tipo de oficina, onde o Voluntário de UBAV reúne um grupo de crianças ou idosos para contar-lhes histórias cujo final é sempre recheado de Esperança. Ao contrário das canções de roda, cujas músicas sempre eram recheadas de tragédias e casos de violência, como o “Atirei o pau no gato”, “Tumbalelê tá doente, tá com a cabeça quebrada” e muitas outras.

Assim sendo, quero enfatizar a necessidade de resgatarmos o hábito de ler para os nossos filhos, contar-lhes boas histórias. Este hábito estimula o desenvolvimento psicológico, emocional e cultural do seu filho. Ele contribui para a formação do ser humano, onde costumes e valores positivos são passados; estimula a criatividade desenvolvendo a percepção do mundo. É uma ótima oportunidade para ele encarar seus medos e vencer suas angústias.
Outros aspectos podem ser observados em alguns contos como o receio do abandono pelos pais na história de “João e Maria”, a insegurança de “João e o Pé de Feijão”, ou “Alice no País das Maravilhas”. Sentimentos negativos como a inveja e o ciúme poderão ser vistos na história de “Cinderela”, porém outros positivos como a dedicação e solidariedade poderão ser vistos na trama de “Branca de Neve e os sete anões”.
Portanto, TIM-TIM aconselha sempre uma releitura ou leitura de uma fábula para as crianças ou idosos, destacando sempre o aspecto positivo. Neste texto, atribuído a Monteiro Lobato, veremos a influência do poder de uma onça para impor as suas vontades. Lobato chamou-a de A Liga das Nações, uma fábula bem brasileira. Vejam só:

Liga das Nações

Gato-do-mato, jaguatirica e irara receberam um convite da onça para constituírem a Liga das Nações.
- Aliemo-nos e cacemos juntos, repartindo a presa irmãmente, de acordo com os nossos direitos, disse a Onça.
- Muito bem! - exclamaram os convidados. - Isso resolve todos os problemas da nossa vida.
E sem demora puseram-se a fazer a experiência do novo sistema. Corre que corre, cerca daqui, cerca dali, caiu-lhes nas unhas um pobre veado. Diz a onça:
- Já que somos quatro, toca a reparti-lo em quatro pedaços.
- Ótimo! disseram todos.
Repartiu a presa em quatro partes e, tomando uma, disse:
- Cabe a mim este pedaço, como rainha que sou das florestas.
Os outros concordaram e a onça retirou a sua parte.
- Este segundo também me cabe porque me chamo onça.
Os sócios entreolharam-se.
- E este terceiro ainda me pertence de direito, visto como sou mais forte do que todos vós.
A irara interveio:
- Muito bem. Ficas com três pedaços, concordamos (que remédio!); mas o quarto tem que ser dividido entre nós.
- Às ordens! - exclamou a onça. - Aqui está o quarto pedaço às ordens de quem tiver a coragem de agarrá-lo.
E arreganhando os dentes assentou as patas em cima.
Os três companheiros só tinham uma coisa a fazer: meter a caudas entre as pernas. Assim fizeram e sumiram, jurando nunca mais entrarem em Liga das Nações com a onça dentro.

Monteiro Lobato

MORAL: "Esta fábula satiriza a hipocrisia das grandes nações (representadas pela onça), que falam em pactos e acordos, mas na hora H empregam a força para fazer prevalecer seus interesses."

Obrigado amigos, espero que tenham gostado. 
Doces e novos contos para vocês!

A Literatura Infantil ajuda a construir um novo dia feliz!

TIM-TIM!

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