sexta-feira, 6 de junho de 2014

"TAL PAI... TAL FILHO" - QUEM AMA DEIXA VOAR - Coluna Mensal de Sueli Santos

Amigos, esse mês estou passando pela experiência de deixar a cria voar! Estou me sentindo como uma "passarinha mãe" que alimentou seu filhote, dando minhoquinhas na sua boquinha, protegendo e facilitando as coisas pra ele, e de repente percebe que ele está  pronto pra alçar voo e conhecer o mundo...
Divido-me entre o sentimento de orgulho e alegria ao ver que a minha filhotinha já pode voar com suas próprias asas e adquirir novas experiências.
Posso dizer que esta ação de dever cumprido é muito boa, me traz uma leveza e um sentimento de alegria e gratidão! Por isso resolvi postar esse texto para mostrar que...

Quem ama deixa voar

Quem ama protege. É natural que a gente tente evitar que aqueles que amamos passem por alguma situação desagradável. Instintivamente vamos sempre defendê-los de ataques e poupá-los de tristezas. Não há nada de mau nisso, mas temos sempre que estar atentos para não permitir que as defesas do outro atrofiem, de tão pouco usadas.

Sendo mais concreta, percebo que muitas mães, com as intenções mais instintivas de defesa sobre a  sua cria, acabam por proteger tanto seus filhos que não valorizam as capacidades desses de se defenderem. Querendo poupá-los de experiências negativas, se antecipam a resolver todo e qualquer problema na vida deles, gerando uma falsa ilusão de que são capazes de peneirar o que pode ser vivido, evitando qualquer dificuldade.

Mesmo que fosse possível criar esse cercado onde só coisas boas poderiam entrar na vida de alguém, estaríamos construindo um ser desprovido de qualquer poder de autoproteção, já que nunca foi exposto a nenhum contratempo  ou conflito. Pensando assim, fica fácil perceber que, na verdade, quando uma mãe superprotege seu filho, ao invés de ajudá-lo, ela está tirando dele a capacidade de desenvolver suas próprias habilidades de defesa. Ele fica completamente vulnerável ao mundo, e não é apto a encará-lo sem sua mãe por perto. No final das contas, ele vira um ser muito mais suscetível do que a maioria e, de tanto agirem por ele, não aprende a enfrentar os desafios.
         
Outra questão é a mensagem que se está passando quando prefere que você ou alguém resolva tudo no lugar dele.  Subentende-se que você não confia na capacidade dele de lidar com tal situação e que qualquer pessoa faria isso melhor do que ele. Se essa mensagem é passada constantemente, é muito provável que ele se constitua a partir dela e deixe de acreditar em si mesmo, construindo uma crença de que não é apto a enfrentar o mundo. E exatamente por sempre ter sido poupado,  por ter treinado pouco suas habilidades de enfrentamento, acaba de fato confirmando sua crença.
         
Quando o filho tem uma limitação, como, por exemplo, cegueira, dificuldade motora, ou qualquer doença que torne a independência mais desafiadora, os casos de superproteção são ainda mais corriqueiros e sustentados pela justificativa da limitação de certas situações. É claro que vai haver uma dificuldade maior, mas, no momento em que a mãe trata como uma impossibilidade e faz tudo pela pessoa ou junto dela, ela está desencorajando seu filho a testar capacidades, a vencer  desafios e ultrapassar  limites por conta própria. Ela está vivendo por ele e para ele. Na realidade, ela não está valorizando as possibilidades dele como ser humano.

           

Assim, quando  superprotege, simultaneamente, você  mostra que ama aquela pessoa a ponto de não querer que nada de mau  aconteça com ela, e também está dizendo que ela é frágil, vulnerável e nada safa. Vamos sempre tentar amar de forma que estimule, fortaleça e capacite o outro a ser o melhor que ele pode dentro de suas limitações, e não desenvolvendo uma dependência. Cortar as asas pode até evitar algumas situações de risco, mas certamente também evita belos vôos que ele pode viver. Proteção também tem medida
.




TIM-TIM  




Sueli Pereira dos Santos
CRT 25.188

Terapeuta Sistêmica (Família, individual e casal) – Psicopedagoga clínica – Letras - Psicomotricidade e Desenvolvimento Humano. 
  

Distúrbios/Transtornos de Aprendizagem – Aprendizagem e Psicopedagogia - Bioenergia - Dinâmicas de Grupo - Educação e Psicologia Social/clinica – Leitura corporal 

Exerce atividade clínica em Belo Horizonte - MG 

www.terapeutasistemica.blogspot.com

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