sexta-feira, 11 de abril de 2014

“CAFÉ DA MANHÔ Um papo gostoso pra começar bem o dia. - Por Neo Cirne


Como é bom ser solidário.

Quando eu era criança observava a minha avó Noélia, uma mulher ativa, bondosa, dedicada aos seus 10 filhos, sim, naquela época a maioria das mulheres tinham muitos filhos e ontem, ao ver o retorno de A GRANDE FAMÍLIA, programa da GLOBO que sempre tive o prazer de assistir, fiquei pensando como é bom ter uma grande família. Assim era a família de minha avó, imensa e alegre. A vida era difícil naquela época, a sociedade se desenvolvia, mas às duras penas, vejam:

Pra começar, não existiam os grandes supermercados, comprava-se na quitanda ou nas vendinhas, a oferta de produtos era mínima, o leiteiro trazia o leite em galões entregando nas portas da casa, todos tinham uma lata de leite e iam pegar o leite na carroça, depois este mesmo leite passou a ser engarrafado e deixado nas portas das pessoas.  


A quantidade de automóveis e ônibus era bem pequena, os bondes circulavam pelas grandes cidades, mas não satisfaziam o aumento da população. As comunicações eram precárias, as oportunidades de emprego então, eram bem reduzidas, pois o comércio era pequeno e o parque industrial brasileiro era mínimo. 
Importávamos quase tudo, a classe média era composta por comerciantes e profissionais liberais e os pobres compunham a maioria da pirâmide social, como agora, neste aspecto nada mudou. 
Os pobres viviam em bairros mais afastados e a oportunidade de subir na escala social era muito pequena ou nenhuma. Neste cenário de dificuldade encontrar alguém que fosse solidário e desapegado era muito difícil.


Minha avó, era diferente, sempre exercia a sua liderança. Reunia a família aos domingos para um grande almoço, mas pela manhã levava um monte de netos até à Praça Saens Peña, no bairro da Tijuca, pertinho de sua casa. Lá nós brincávamos nos balanços e gangorras, tomávamos sorvetes e vovó reunia os netos num canto da praça e falava do assunto que mais gostava: a solidariedade. 

Dizia da necessidade de sermos mais solícitos, educados, generosos e sempre finalizava o passeio contando uma história orientando a necessidade de sermos todos amigos. Ela perguntava aos netos que gesto positivo nós tínhamos realizado naquela semana. Aos que faziam uma boa ação ela premiava com um brinde e dizia: "continue assim, meu filho... Este é o caminho".
 O seu gesto era observado com muita atenção por todos os netos. Ela conseguia ser uma grande mulher, mesmo com o seu 1,45 m de altura. Eu com 10 anos era maior que ela...rsrs. Porém, era uma mulher de ouro. Era justa, amorosa e rígida. Todos os netos a adoravam e temiam sua fala, pois suas palavras doíam, eram cheias de saber e calavam fundo.


A maioria dos seus filhos e netos era formada por grandes solidários, meu pai, mesmo lutando com muita dificuldade financeira, sempre encontrava uma forma de ser útil e solidário ajudando os vizinhos que estavam passando por alguma dificuldade. Mamãe fazia comida a mais e oferecia a um vizinho na vila onde eu morava. Eu compreendia e sabia que eles haviam assimilado os ensinamentos da vovó, a nossa família era muito feliz. 


Vovó Noélia foi presidente de um abrigo para meninos pobres, na rua Ibituruna, no bairro da Tijuca e seu grande foco era ajudar as mães pobres. Aquelas senhoras que aguardavam a “chegada da cegonha”, sim, vocês sabem, né? Antigamente, a informação que passavam para as crianças era de que o neném vinha numa cesta, carregada por uma cegonha... Assim, disfarçavam a curiosidade infantil sobre assuntos de sexo, coisa impossível nos dias de hoje. Depois vocês tirem as suas conclusões se isto era bom ou ruim.



Vovó passava o ano fazendo cestas de roupinhas de bebê, o enxoval era completo, era tudo feito à mão e com muito capricho.  Numa tarde festiva, a direção do Abrigo entregava às senhoras gestantes ou novas mamães, previamente selecionadas, aquelas lindas cestas repletas de roupinhas. 


No início eram 100 cestas, mas isto dava um trabalho imenso para ela, fazia tudo sozinha. Reuniu, então, um grupo de senhoras solidárias e a nova produção aumentou para 500 cestas. A festa ganhou um grande impulso com a chegada das novas participantes. Recordo que ao final da festa de entrega das cestas, vovó que era espírita discursava, lia uma passagem bíblica e uma mensagem de Alan Kardec, agradecia a Deus por tê-la permitido ajudar e todos os presentes, palestrantes e homenageados, davam as mãos e repetiam a expressão: 

“VIVA A SOLIDARIEDADE”  



E todos voltavam pros seus lares felizes, uns por terem sido brindados com uma linda cesta de enxoval completa para seus filhos e outros voltavam felizes pelo prazer de terem servido ao próximo.


Vovó sempre nos dizia: “Ninguém é tão pobre que não possa ofertar e nem tão rico que não possa receber”... Somos todos iguais e necessitamos uns dos outros.


Obrigado vovó Noélia, pelos seus ensinamentos que hoje tento aplicar nesta obra, que reúne tantas pessoas de bem. No sábado passado tivemos mais um exemplo de solidariedade deste grupo maravilhoso de UBAV, desta vez em Santa Catarina, na cidade de Canoinhas, mas quase todo o país de certa forma já realizou grandes ações sociais com UBAV. Isto nos enche de alegria e engrandece a vida de todos os envolvidos. Sabemos que estamos no caminho da luz e pondo em prática a missão que Jesus nos ensinou:

 “AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO”


             Tim-Tim!

Neo Cirne
Coordenador de UBAV-Brasil

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