sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"CALEIDOSCÓPIO ESPECIAL" - - DAS DUAS UMA - - Crônica de Lívia Gussen



"CALEIDOSCÓPIO ESPECIAL"

Título: Das duas uma
 Por Lívia Gussen 


Acho que a vida de "concurseira" pode ser uma afronta à criatividade. Desde que me afundei um pouco mais no dificílimo propósito de gastar horas do dia estudando, não tenho visto muitas coisas e o que tenho visto não me inspira estórias. De duas uma: ou a burocracia já se inicia por aqui ou minha fonte secou!

Acontece que hoje senti saudades de escrever. Não tenho nada pra contar, não tenho inspiração, estou escrevendo à medida que os pensamentos me vêm à cabeça. Não é brainstorming, é só birra de escrever (mesmo que seja escrever por escrever, pra mim tanto faz, o azar é de quem ler!).

Há algo nada glamoroso, mas muito atraente nos bastidores de um blog. Pouca coisa me dá mais satisfação do que polir e repolir o texto primitivo, encher o saco dele e publicá-lo mesmo sabendo que, com certeza, tem mais erros despercebidos por entre as linhas. Aí começa a mágica: 1 comenta, 3 leem, mais 5 leem, 7 curtem... quem está de fora não tem noção do furor emocional que um gráfico de estatísticas de visualização em ascendência pode causar! É disso que tenho saudade. E os acessos internacionais então?! Que sensação maravilhosa saber que alguém te clicou em Israel! Provavelmente são cliques errados de gringos distraídos, mas me enchem de pseudo-orgulho mesmo assim. Confesso que meu fim da picada foi ter acessado inúmeras vezes o Caso Crônico quando fui para o Uruguai só pra que constasse mais um país na minha listinha de “países que te visualizaram”. Doidices de quem escreve.

Numa tentativa de sanar o engessamento criativo da vida concursal, criei um blog sobre isso, mas ele era tão chato que não me animei mais a encará-lo. Está semimorto lá, infrutífero, sobrevivendo apenas da minha esperança em achar graça na rotina. Mas, para que fique claro, estarei sendo injusta se passar a ideia de que não há alegria na vida de quem estuda pra concurso público. Mamar nas tetas do governo é incentivo para muitos, mas eu realmente gosto de aprender coisas novas e, como tudo o que tenho visto é novo, acabo me instigando; só pentelha a dificuldade absurda que tenho em me disciplinar - marca indelével dos anos de livin’ la vida loca-tropical-pobre-brasileira.



Comunico: vou bancar o velho aposentado e gastar algumas horas sentada na praça. Jogarei até xadrez se preciso for, tudo pra ver se, saindo das minhas quatro paredes, algo me atiça. Se outra crônica aparecer aqui em breve é sinal de que fui bem sucedida e que o período de seca deveu-se exclusivamente à sem-graceza dos últimos tempos, senão decreto-me em estágio criativo terminal.

Pipoca com queijinho, caneta, AÇÃO!




Lívia Gussen é formada em Letras e em Publicidade. Reside na Cidade de Cruzeiro/SP. Já passou pela Psicologia para se encontrar profissionalmente e, sem ter encontrado uma paixão profissional, hoje estuda para concurso público. 
No entanto, costuma dizer que sua maior paixão é viver e escrever sobre a vida - o que pode ser visto na nossa coluna Caleidoscópio e no seu blog de crônicas, o Caso Crônico.






 Comentário de Neo Cirne sobre a matéria de Lívia Gussem:
Esta foi a crônica de aquecimento de Lívia Gussen, minha querida amiga Livinha como gosto de chamá-la. Ela agora é nossa colunista de plantão, quem sabe ela volte e a inspiração retorne para escrever regularmente o seu Caleidoscópio. Está provado que mesmo sem inspiração ela consegue manter fixa a nossa atenção no texto. Desta vez ela nos brindou com mais um comentário de seu momento atual, "sua dúvida excessiva, but happy". Sim, muito feliz!

Descontraída, meio debochada consigo própria, transforma a inconstância dos seus momentos num texto leve e agradável. Mantendo-se firme no propósito de conjugar e saborear todas as emoções, como estudar, passear, passar no concurso ou adquirir um pouco de experiência com os idosos jogando xadrez na praça... Gostei desta visão.

Eu, particularmente, gostei muito mesmo. E confesso que gostei mais ainda quando se reportou a agonia de quem mantém um site no ar, escreve textos e fica na expectativa dos acessos. Passo pela mesma situação, mesmo caminhando para o 3º ano de fundação do site e para o 9º ano deste projeto social. A emoção dos cliques é imensa e observar os amigos curtindo as matérias é um momento muito bom. Significa a valorização e reconhecimento do nosso trabalho.

Vejo a Livinha, como uma cronista maravilhosa, que coloca suas palavras com total liberdade e capacidade descritiva, como na sua inesquecível matéria Casa da vó, crônica publicada em 15 de Janeiro deste ano. Sem dúvida, a sua inspiração retornará totalmente, assim como o Sol marca conosco, diariamente, um encontro permanente trazendo luz e vida aos nossos dias.

Suas crônicas, Lívia, assim como o Sol irreverente, acrescentam um rubro sorriso no rosto de quem aprecia o ritmo de suas palavras... Esta sua onda cinzenta de indefinição passará. Sua alegria será ainda mais contagiante do que já é. Ali na frente o futuro está sentado, aguardando a sua aprovação no concurso ou que, pelo menos você ganhe dos velhinhos na partida de xadrez.


Nas peças do jogo de xadrez tem um Rei, e a "palavra de Rei não volta atrás", como dizem quando querem fazer uma afirmação. Assim como eles eu quero afirmar e deixar claro que: como aposentado, estou na fila para jogar uma partidinha de xadrez com você na praça, a próxima vez que for à cidade de Cruzeiro, topa?

Agora ficou estabelecida uma nova questão:

Das duas uma

“Ganhar dos velhinhos não é vantagem, é? Mas, perder pros velhinhos... Nossa! É um vexame! Melhor do que jogar com os idosos será jogar milho aos pombos, estudar e aguardar pacientemente o sucesso dos seus sonhos... É mais seguro!”.

Com saudade de suas crônicas Livinha, pra você, o nosso TIM-TIM!


Neo Cirne
Fundador de UBAV-BRASIL

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