quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"LEMBRANDO GRANDES CRONISTAS" DESTAQUE DE HOJE: LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - Por Neo Cirne

Olá amigos, com muito prazer lembraremos Luís Fernando Veríssimo, escritor brasileiro, nascido em Porto Alegre em 26 de setembro em 1936. Nosso querido escritor é especializado em crônicas e histórias bem-humoradas.

Nesta toada literária de bom-humor ele vai mostrando o seu lado crítico, sua alma campeira, seu coração colorado e sua veia política, bem brasileira. Veríssimo escreveu inúmeras obras gostosas de se ler. São textos que nós grudamos e não largamos o livro, vamos até a última palavra. É, quase sempre, um delicioso e alegre passeio pelas palavras, fruto de uma imaginação privilegiada.

O pai de Luís Fernando Veríssimo era um outro escritor brilhante, Érico Veríssimo, gaúcho de Cruz Alta, autor de inúmeras obras, como os romances "Olhai os lírios do campo" - "O incidente em Antares" - "Senhor embaixador" e a trilogia de "O TEMPO E O VENTO" cujo filme encontra-se em lançamento nos melhores cinemas do país.

Como se vê, Luís Fernando Veríssimo confirma aquela máxima que diz que: "Filho de peixe, peixinho é".

Bom dia!
Neo Cirne

Vamos observar uma das crônicas de Luís Fernando Veríssimo: 


"...E POR FALAR EM LADRÃO DE GALINHAS"


"Os canas pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.

- Que vida mansa, heim? Vagabundo!!! Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai pro xilindró ! Gritou o delegado.

- Mas não era para eu comer não não. Era para vender.

- Pior. Venda de produto roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha! repetiu a autoridade.

- Mas eu vendia mais caro, eu não concorria não.

- Mais caro? Como assim...

- Espalhei o boato que as galinhas de galinheiro eram bichadas e as minhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons, caipira legítimo.

- Mas eram as mesmas galinhas, safado.

- Os ovos das minhas eu pintava.

- Que grande pilantra...  171. Estelionatário refinado.
Nessa altura da conversa já havia um certo respeito no tom do delegado.

- Ainda bem que tu vais preso. Se o dono do galinheiro te pega...

- Já me pegou. Mas fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Aí convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou melhor, um ovigopólio.

- E o que você faz com o lucro do seu negócio?

- Especulo com dólar, na bolsa... Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros, juiz. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do Governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou vir um cafezinho para o preso e perguntou-lhe se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

- Milionário ?  Não...Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

- E, com tudo isso, o Doutor continua roubando galinhas?

- Às vezes. Sabe como é...

- Não sei não, Excelência. Me explique melhor.

- É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso, finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova !

- O que e isso, Excelência? O senhor não vai ser preso não.

- Mas fui preso em flagrante delito, pulando a cerca do galinheiro!

- Sim. Mas és primário, e com esses antecedentes...  É a Lei Fleuri...
 

Luís Fernando Veríssimo



TIM-TIM!

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