terça-feira, 4 de junho de 2013

"Histórias que emocionam" - - - A CARTA - - - Por Maria das Neves Gomes

Meus amigos, boa tarde.


Quero apresentar uma mensagem bem bonita que foi escrita por Maria das Neves e consta dos arquivos de Novos causos do Correio. Falando em CORREIOS eu tenho muita saudade em que as mensagens demoravam um pouquinho mais para chegar. Era criada uma expectativa gostosa para receber as notícias da família ou da namorada. Depois que aceleraram a informação esta doce expectativa de receber uma carta acabou. Lembro da febre dos papéis de carta, das letras bem feitas, redondinhas, lembro da letra linda que minha namorada tinha. Ela era professorinha de uma cidade do interior de Minas Gerais. Suas cartas levavam 04 (quatro) dias para chegar e meu coração ficava aos pinotes dentro do meu peito, eu era muito jovem.

Quando o carteiro gritava: Olha o carteiro! Era uma correria para recebê-lo no portão. Parece que naquelas cartas nós conseguíamos sentir a alegria e a tristeza de quem nos escrevia, apenas pelo tipo da grafia das letras. Os textos eram mais completos, a escrita e o pensamento possuíam corpo... Materialidade. Éramos capazes de perceber o perfume salpicado no papel da carta e imaginá-lo na pessoa amada. Não sei se vocês lembram disso, mas eu lembro e com imensa saudade. 
As pessoas mais velhas são mesmas saudosistas, pois quando DEUS nos deu a Vida, Ele condicionou inteligentemente um envelhecimento natural aos nossos corpos, mas esqueceu de envelhecer a nossa mente e ela permanece num outro estágio e muito jovem, em virtude disso, estamos sempre a dizer: Parece que foi ontem!, não é verdade? 



Este artigo lembrou-me daquela ocasião de quando fazíamos da chegada da carta um grande acontecimento. Quantas cartas de amor escrevemos na vida? Meu Deus, foram muitos momentos doces grafados em lindas palavras, guardávamos estas cartas como verdadeiros tesouros. Que bom que eu curti esta tempo!

Neo Cirne


Vamos à matéria de Maria das Neves Gomes:

(Lembranças de uma entregadora de cartas)


A CARTA

Avistei uma senhora recostada na janela e percebi que havia correspondência para aquele endereço.
- Tem carta para a senhora, anunciei.
- Bem que poderia ser do meu filho Alfredo, que não o vejo há anos - suspirou a Dona santinha, enquanto pegava a carta. - Ele era o xodó do meu falecido marido. Até o dia em que brigaram e o garoto foi embora.

Ansiosa, Dona Santinha correu para dentro de casa para pegar seus óculos. Com as mãos trêmulas, conseguiu ler lentamente. Começou pelo remetente: "LUCIANO SANTOS e ..." por uns segundos ficou estática. - "CARLOS EDUARDO DOS SANTOS NETO". Ela parecia perturbada.
- CARLOS EDUARDO DOS SANTOS é o nome de meu falecido marido! - disse com a voz embargada.

Os óculos embaçados dificultavam a leitura, mas ela foi em frente:  "Querida vovó, tudo bem com a senhora?". Dentro do envelope, fotos e mais uma folha de papel. Era uma carta do seu filho Alfredo, que tinha dado dois netos, dois meninos a Dona Santinha, e um deles para demonstrar que não tinha remorso do pai, com quem havia brigado quando partiu, colocou o nome do avô.

Eu com minha sacola de cartas pendurada no ombro e com o meu jeito maternal, ao perceber a lágrima de Dona Santinha, não me contive... Chorei junto!



"Carteiro é uma profissão que tem vantagens e desvantagens, mas uma das grandes vantagens é a emoção permanente que pode transmitir". 
(Neo Cirne) 


TIM-TIM!

Um Brinde À Vida Copyright © 2011 | Tema Desenhado por: compartidisimo | Distribuído por: Blogger