sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

"UMA NOTA TRISTE PARA UBAV - BR" - Por Neo Cirne

 É muito difícil falar de uma pessoa que durante 21 anos foi tão minha amiga e que, infelizmente, partiu  para o andar de cima neste difícil ano de 2012. Falo de Suely Pacheco Gomes de Oliveira, uma das pessoas mais alegres e positivas que já conheci na vida. Suely era aquele tipo de amiga que não se esquece nunca, ela possuía um "quê" de leveza que conseguia transmitir força e coragem nos momentos mais difíceis. Foi uma amiga guerreira que me ajudou muito, quando em 1993 perdi minha esposa e filha caçula numa terrível tragédia. Enquanto os falsos amigos afastavam-se, ela, percebendo a dor imensa que eu passava, aproximou-se mais e mais. Naqueles dias tão difíceis, ela tirou minha filha Luciana, daquele cenário de morte e de dor oferecendo seu lar, em Teresópolis, para abrigá-la por uns dias. Isto me deu tempo de tomar as providências que sempre são necessárias após um momento de luto, quanto mais num luto duplo.

Ela estimulou minha filha a pensar positivamente apesar do momento; de não se deixar abater pelas perdas que tivemos e a pensar na construção do futuro. Fez a Luciana entender que estamos aqui com um propósito, com uma missão e que tudo é passageiro, as pessoas, os amigos, os parentes e que só eternizamos o bem que realizamos. Às vezes, não compreendemos a temporariedade de cada missão, uns levam muitos anos entre nós, outros chegam e partem rápido. Não compreendemos esta medida, mas aceitamos. São os misteriosos desígnios de Deus.
Minha filha, depois deste contato, acalmou seu coração e teve condições de equilibrar seus sentimentos e construir a sua vida. Foram valiosos os conselhos da Suely.

Hoje, rebuscando palavras para poder qualificar uma amizade pura como a nossa, eu definiria a querida "Suca"(maneira carinhosa que os amigos a chamavam), com uma palavra apenas: ALEGRIA. 


Na foto, ela estava muito feliz, ao lado do neto Daniel.
Era aniversário de seu bisneto, Theo.
 Daniel, meu afilhado, casou-se ano passado com Samira e
residem em Vitória - ES.
"Um passarinho nos contou que virá neném em breve, será?.
Vamos noticiar!!!
Eu não chegaria a dizer que ontem, dia 27 de dezembro, a ALEGRIA ACABOU... Posso afirmar que, A ALEGRIA AUMENTOU, pois ela soube, com maestria, ensinar aos seus queridos parentes, Filha (Simone), Genro (Felipe), Netos (Brenda e Daniel), Bisneto (Theo), e aos muitos amigos que adoravam a ALEGRIA DE VIVER, própria da Suely. Por isso posso garantir que a ALEGRIA AUMENTOU, MUITO desde que a Suely chegou neste mundo.

Suely chegou neste plano, cumpriu sua missão e partiu, mas deixará um rastro de perfume, de bondade e alegria com todos nós que tivemos o prazer imenso de conviver com esta pessoa maravilhosa. Amante dos animais, era capaz até de cuidar dos cachorros de rua, a observar detalhes de como os animais eram amigos de seus donos e altamente solidários.


Ela sempre citava uma cena onde um carroceiro da cidade, empurrava o "burrinho sem rabo" (carroça de um eixo central própria para pequenos transportes de mercadorias) e o cão solidário o acompanhava e as vezes, num gesto de carinho o cão ia na carroça, com um ar de felicidade. Observava que as pessoas mais pobres são as mais grandiosas e apegadas aos pequenos animais. Recordo que uma vez, ela pegou um cachorro abandonado e levou-o para sua casa. Ele fez muita bagunça na casa mas foi um grande companheiro nos momentos de solidão e de inverno na serra. 

Emocionava-se com o filme do Richard Gere, que contava uma história de amor incondicional entre um cão e o seu dono - Nome do filme, SEMPRE AO SEU LADO. Detestava notícias telejornalísticas, principalmente as que falavam de desgraças, crimes e catástrofes. Dizia que seu espírito não necessitava se nutrir de notícias ruins. Ao invés disso ela mentalizava positivamente. Por um tempo praticou Ioga e recordo que dizia que era o melhor caminho para encontrar a comunicação entre corpo físico e o espiritual. Era um exemplo de ser humano.

Ela amava as pessoas e tinha sempre uma boa e engraçada história pra contar. Era uma pessoa generosa, e seus filhos seguiram seus exemplos, firmando a tradição solidária na família.  



É duro perder um grande amigo! Nem sempre os nossos parentes são tão amigos quanto os amigos verdadeiros que conquistamos e que se identificam com nossos desejos de um mundo melhor. Ela sempre foi uma incentivadora do projeto UBAV. Foi uma das 56 pessoas que, em 2006, ajudaram a realizar o primeiro Concurso de Frases UBAV. Foi merecidamente campeã do 2º Concurso de Frases, em 2007. Afastou-se do concurso para poder permitir que outras pessoas tivessem o prazer de realizar uma ação social, fruto do título conquistado. Em 2008, junto com minha irmã, Nely, acompanhou-me na Missa Comemorativa do 3º Aniversário de "Um Brinde À Vida!", missa realizada na Igreja de Santa Teresa, em Teresópolis-RJ. Vejam a foto:
Na porta da Igreja Santa de Teresa
Ladeado por Nely e Suely

Sonhadora, Conselheira, Alegre e Gentil, conquistava a todos que tinham o prazer de conhecê-la. Adorava o poema do Vinícius de Moraes, que falava dos amigos e a música "Claire de Lune", de Claude Debussy, que ouvia diariamente. Música que hoje, apesar de ser um dia de reflexão para UBAV, será colocada em sua homenagem ao fim desta matéria, na bela interpretação da pianista Ângela Hewitt.


 Querida Amiga Suely Pacheco, onde quer que você esteja neste instante, receba todo o carinho e gratidão deste amigo que nunca esquecerá as suas orientações e doce presença. UBAV, se solidariza com a querida família dos "Amigos da Suca" que com certeza sofre com a sua partida, mas se alegra com as "Lições de Casa" que ela deixou, tal qual uma mestra deixa para os seus alunos realizarem sozinhos e alcançarem a evolução desejada. As lições deixadas, com certeza, encherão para sempre as nossas vidas de Esperança, Sonhos e Alegria.


Obrigado Suely

Tim-Tim!

EM HOMENAGEM :

POESIA: 

AMIGOS
(Vinícius de Moraes)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. 

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. 

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. 

Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. 

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! 

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências. 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí. 

E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar.

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. 

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer. 

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! 

A gente não faz amigos, reconhece-os.


MÚSICA 

CLAIR DE LUNE





NOTA DE UBAV:
SUELY PACHECO GOMES DE OLIVEIRA
Faleceu ontem após 3 paradas cardíacas, após 20 dias de internação, fruto de um A.V.C. gravíssimo.
O sepultamento será realizado hoje, dia 28 de dezembro de 2012, 
às 16 horas, no Cemitério de Teresópolis.
A Coordenação de UBAV-BR não estará presente por encontrar-se distante do Estado do Rio e não haver condições de chegar a tempo. 
Porém, a intenção de nossa Oração Dominical, será voltada inteiramente, para este ser de luz, que tivemos o prazer de conhecer e privar de sua amizade verdadeira.

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