sexta-feira, 2 de novembro de 2012

MENSAGENS TIM-TIM - OS ESTATUTOS DOS HOMENS - Neo Cirne

Meus queridos amigos, neste feriado de finados mudei um pouquinho a linha editorial do projeto reservando a data para nossa reflexão, orações e agradecimentos por termos convivido com pessoas tão especiais quantos os nossos queridos amigos e parentes  que partiram "deste andar" para o "andar de cima". 

Nossos queridos finados que estão vivendo ao lado de Deus, nos nossos corações e nas lembranças dos amigos. É triste observar que existem pessoas que partiram e que não recebem se quer uma oração, uma lembrança saudosa. Estes não deixaram amigos, com certeza. Eu não gosto do nome finados, é uma palavra utilizada para lembrar o FIM. Acho que deveríamos chamar nossos mortos de Reiniciados, pois não entendo a morte com um ponto final, e sim como um ponto e vírgula (;) - sinal gráfico que transmite uma pausa e a continuidade. Você pode não acreditar em vida após a morte, em espiritualidade, em religiões ou em nada, mas com certeza sente saudade. Saiba que a oração é o veículo que nos propicia o reencontro com Deus e com a nossa saudade. (Neo Cirne)
Depois deste comentário, vamos a nossa mensagem de hoje:



Sempre que posso, pesquiso uma mensagem que eu considere bonita, assim fazendo estou, de certa forma, exercitando a minha sensibilidade, extraindo o verdadeiro amor e a emoção dos autores selecionados. 
Posso não acertar em todas as indicações, mas não resisto em publicar uma matéria que, quando leio, me arrepio. Assim é este OS ESTATUTOS DOS HOMENS  (1977).
A indicação parece ótima. Vamos conferir? Se quiser comentar a matéria entre em CONTATO COM UBAV-BRASIL e de sua opinião.



A mensagem de hoje é atribuída a Amadeu Thiago de Mello, escritor amazonense, nascido em Barreirinha, 30 de março de 1926. É considerado um dos mais respeitados e influentes escritores brasileiros, um ícone da literatura regional. 



OS ESTATUTOS DO HOMEM


Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II 
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III 
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV 
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único: 
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V 
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI 
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII 
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX 
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X 
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI 
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII 
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único: 
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII 
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final. 
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Poema de Thiago de Mello






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