quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A CRÔNICA DO DIA - A AMIZADE - ARTHUR DA TÁVOLA




A CRÔNICA DO DIA

Olá amigos, estamos lançando um novo espaço experimental, para levar até vocês uma crônica bem interessante. Nela poderemos observar os traços mais marcantes do autor. Será uma série de 10 crônicas, postadas as segundas, quartas e sextas-feiras. Havendo resposta de vocês elas permanecerão, caso contrário mudamos de assunto...

Hoje, postamos uma  crônica de Arthur da Távola, a quem homenageamos.


AMIZADE

Ah, esse fenômeno instigante, o das amizades que se mantêm independentes da convivência. 

 Será amizade? 

Será saudade comum dos anos vividos em amizade? Será saudade dos anos felizes ou uma afinidade que se espraia no tempo? Não sei responder. 

Sei que com algumas pessoas (poucas), há uma insistência teimosa em desejar ver, trocar ideias e experiências, creio, pela certeza da reciprocidade e do "ser aceito". 

 Sim, talvez seja a certeza de ser aceito, uma das maiores necessidades humanas neste mundo de incompreensões. Talvez seja a necessidade da existência de certeza prévia de acolhimento ao que somos, como somos e ao que pensamos, o fermento da amizade. 

 O mistério da amizade talvez resida no alívio que traz a existência de alguém que nos acolha. 

Digo acolha e, não, recolha - aí já seria dependência de um lado e paternalismo do outro. Acolher significa receber de bom grado, previamente, sem julgamentos ou resistências. 

É molesto o fato de que os seres humanos vivam a julgar e que suas opiniões prévias interponham barreiras na comunicação, dificultando-a. 

 O mistério da afinidade consiste na inexistência das resistências ao outro, mesmo quando haja discordância. Isso não deriva apenas de afeto. 

Quantas vezes há afeto entre as pessoas sem, porém, a aceitação natural, espontânea e prévia? 

 Verifique nas amizades tidas e vividas ao longo da vida, o que delas restou. Haverá muita vivência, boa e má. Raramente, porém, restará a amizade... 

 Com os anos, vão se tornando escassas as amizades que atravessaram o terreno íntimo que lhes é próprio sem arranhões e sem mágoas, restando, como fruto, após ingentes experiências humanas e existenciais, apenas (e já é tanto...) a amizade. 

 Amizade é o que resta da amizade. Se o que resta de uma amizade é amizade, então amizade é. Da verdadeira!

Tim-Tim!




(Artur da Távola)

Advogado - Jornalista - Radialista -

Escritor - Político - Professor

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