segunda-feira, 29 de outubro de 2012

"TAL PAI... TAL FILHO" - “TE VIRA, MEU FILHO” Por Sueli Santos



Olá Papais e Mamães, quero pedir uma atenção especial para esta matéria que selecionei para o nosso Tal pai...Tal Filho de hoje, ela foi Escrita por Eliane Brum e merece uma reflexão, principalmente a aqueles que pretendem ser pais ou aos que já são. Antes de começar efetivamente a nossa matéria quero fazer um destaque à qualidade e ao esforço imenso de nosso coordenador do projeto. Como sou, além de colunista, uma admiradora desta obra solidária, sempre que surge uma matéria nova, bem elaborada como as Mensagens Positivas do Tim-Tim, o Neo-Day (que esta semana estava sensacional), as curiosidades, o Concurso de Frases (que acho um barato e muito instrutivo), as Mensagens de outros colunistas e pra culminar, esta ideia muito boa de dedicar os domingos para o público Infanto-Juvenil, com maravilhoso o Domingo Tim-Tim, é um espaço experimental, que, se for mais acessado e interagido com o público mirim,  terá tudo para ser um grande ícone deste projeto. 
Quero publicamente dar os parabéns aos mineiros participantes de UBAV e a este amigo de ouro, Neo Cirne, que produz tanta coisa boa e positiva. Eu e toda minha família, temos grande respeito, amizade e carinho por ele. Não sei se ele publicará este comentário inicial, pois, canso de elogiar e ele quase nunca publica, mas eu quando vejo o carinho com que ele constrói esta obra eu não posso deixar de dar o meu incentivo.
Preste atenção nesta matéria, ela é muito interessante e vale a pena ser lida, tenham uma boa semana. Abraços ubavianos.
Sueli Santos

Matéria do Dia:


“TE VIRA, MEU FILHO”. 

texto de Eliane Brum.

UM ALERTA AOS PAIS E FUTUROS PAIS
Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada e, ao mesmo tempo, a mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E, por tudo isso sofre, sofre muito porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar nada a partir da dor. 

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade. 

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste. 

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não à cotoveladas ou aos gritos. Como é que seus pais não conseguiram dizer que o mundo anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes. 


Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente, hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os “perrengues” – sem esperar nenhuma responsabilização, nem reciprocidade. 


É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais? 


Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país. 

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”. 

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer. 

Parece-me que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude. 

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos, o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e psicoterapias e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa

Se os filhos têm o direito de serem felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar, e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia a realidade. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando. 

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa. 

 Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é e buscar a própria voz são escolher um percurso pontilhado de desvios, sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.


Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: 
“Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. 
Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito. 

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e que seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência. 

“Crescer é compreender que o fato de na vida faltar algo não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente, mas é o que temos e o resto que falta temos que construir”.
É melhor não perder tempo, sentindo-se, injustiçado porque um dia ela acaba e terminará como uma tela, um quadro, onde faltou tinta... Incompleto.



COMENTÁRIO FINAL:
Bem meus amigos, para este mês esta é a nossa mensagem. Deixamos um grande abraço para todos os amigos ubavianos, creiam que já considero vocês parte da minha família. Peço a vocês para mandarem suas mensagens, participarem das promoções do site, comentarem as matérias (elogiando ou criticando), e, especialmente, formarem seus grupos, não importa que seja pequeno, o importante é você provar a você de que é capaz de ser solidário.
Deixo pra vocês pensarem uma frase que adoro:

“O caminho é estreito e difícil para aquele que caminha por ele com pena de si e tristeza; porém é largo e fácil para aquele que caminha com amor.” 
(Santo Agostinho)



Sueli Pereira dos Santos 
CRT 25.188
Terapeuta Sistêmica (Familia, individual e casal) – Psicopedagoga clínica – Letras - Psicomotricidade e Desenvolvimento Humano – Distúrbios/Transtornos de Aprendizagem – Aprendizagem e Psicopedagogia - Bioenergia - Dinâmicas de Grupo - Educação e Psicologia Social/clinica – Leitura corporal 
 - Belo Horizonte - 
http://www.terapeutasistemicablogspot.com/



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