domingo, 2 de outubro de 2011

"TAL PAI...TAL FILHO" por Sueli Santos - O desenvolvimento infantil - Parte II


II parte (O desenvolvimento da criança)


O BRINCAR INFANTIL
Durante o primeiro ano de vida, a criança brinca basicamente com seu próprio corpo a partir da necessidade de reconhecê-lo e diferenciá-lo das outras pessoas. Assim, surgem jogos repetitivos com as mãos e pés, bem como atividades ritualísticas de balanceios de corpo e cabeça.
Ao final do segundo ano, entretanto, ela passa a fazer aquilo que chamamos de jogos de imitação onde experimenta atividades que irá desenvolver mais tarde, "copiando" atos do cotidiano. Assim, é muito frequente que, ao chegarmos em casa, encontremos o filho deitado, de olhos fechados e que, ao ser questionado, responda que "está fingindo que está dormindo".
Com o advento da função simbólica, a partir da qual a criança é capaz de representar através de um símbolo, um fato, um objeto ou uma pessoa, ela passa a ter aquilo que chamamos de jogo simbólico onde além de reproduzir, também "corrige" atitudes e atividades do cotidiano. Dessa maneira, quando uma menina de 3-4 anos de idade, diz à sua boneca para ir dormir senão apanha e, após uma pausa, continua dizendo que "como ela foi boazinha, poderá assistir mais um pouco de TV", ela não somente está reproduzindo as atitudes da mãe na primeira parte do diálogo, como está alterando essa conduta de forma que lhe seja tolerável.
Como as noções de real e imaginário ainda não estão definidas, o brincar serve para que ela adapte sua vontade às exigências sociais.

Nesse momento, o processo de socialização ainda se encontra em fase de estruturação, e as crianças brincam uma ao lado da outra, com pequena interação e com os jogos ocorrendo de forma paralela e sem regras.



Por volta da idade escolar, entre 6 e 7 anos de idade, o panorama se delineia de maneira diferente, com os jogos se estruturando de modo concreto, definindo-se regras que são um treinamento para o convívio social e, também são de caráter construtivo.

Assim, neste momento as brincadeiras já mostram uma adequação bem grande, com as regras sendo claras e obedecidas. É fácil se observar isso quando vemos um grupo de garotos de 8 anos jogar futebol, divididos em dois times e respeitando as regras conhecidas do jogo. Da mesma maneira, brinquedos como o Lego ou outros jogos de montar são bastante interessantes uma vez que permitem à criança o desenvolvimento de sua criatividade e de sua imaginação.
Os brinquedos representam um elemento importante do universo infantil, servindo para que a criança interaja, através dele, com seu universo criando-o simultaneamente.
Brinquedos muito sofisticados, bonitos ou caros não são, obrigatoriamente, os melhores para isso, e muitas vezes a criança prefere utilizar material não estruturado, como sucata, com o qual imagina jogos e objetos que lhe servirão para essa construção. Assim, mesmo sabendo que apesar de toda a publicidade, a criança só utilizará por mais tempo (depois de passada a curiosidade da descoberta) brinquedos que realmente tenham a ver com seu desenvolvimento, não podemos esquecer que o brincar é algo muito sério que possibilitará o desenvolvimento e à adequação da criança com seu ambiente social e familiar.


BRINCANDO COM SEU FILHO
Nos ensinaram que "brincar" se constitui em perda de tempo uma vez que corresponde a uma atividade não produtiva ledo engano, o brincar é uma das poucas formas que as crianças possuem para se relacionar e para manifestar seus desejos, fantasias, medos e expectativas.
Ao brincar com nossos filhos de maneira livre e criativa, possibilitamos ter uma relação de afeto onde ambos Pais e filhos) aprendem a se conhecerem no mais íntimo de seu ser independentemente das normas previamente estabelecidas e dos rituais que permeiam as relações familiares. Indo além o brincar possibilita à criança a chance de um crescimento saudável que lhe permita tornar-se um adulto mais criativo e consciente de suas possibilidades.

ALFABETIZAÇÃO PRECOCE
É bastante frequente observarmos crianças com 5-6 anos de idade, encaminhadas pela escola ao médico com queixa de "problemas de aprendizado" que, quando verificados, mostram-se como a dificuldade da criança em aprender a ler e escrever.
Isso nos traz a necessidade de uma reflexão profunda pois se, por um lado, uma sociedade pragmática e competitiva como a nossa demanda uma série de pré-requisitos que façam dessa criança alguém mais adaptado, por outro lado também nos leva a pensar nas reais possibilidades dessa criança.
Durante essa fase de 2 a 6 anos de idade, a criança encontra-se em período pré-operatório de desenvolvimento, no qual começa a realizar operações mentais, sem ainda condições, usualmente, de desenvolver um aprendizado acadêmico tradicional uma vez que não possui maturidade cognitiva para tal da mesma maneira que condições de inteligência que lhe permitam compreender os mecanismos necessários para a alfabetização.
Como pedagoga-sistêmica e terapeuta de família, penso que o processo de alfabetização, deve ser verificado a partir dos interesses e das possibilidades da criança, não devendo ser considerada como condição básica de seu desenvolvimento.

A QUESTÃO DA INTIMIDADE ENTRE PAIS E FILHOS
Ao redor dos 3-4 anos de idade a criança, por seu desenvolvimento cognitivo, inicia a explorar seu próprio corpo visando estabelecer sua própria identidade sexual e, consequentemente, seu próprio papel sexual, com significado eminentemente social.
Paralelamente a essa auto-exploração, estabelece-se uma exploração em relação ao corpo do outro, quer seja de idade semelhante à sua, quer seja adulto. Dessa maneira, quando a criança nessa idade procura um familiar pedindo para tomar banho junto, em verdade procura inicialmente motivos para conhecer seu corpo e o do outro.
A intimidade entre pais e filhos nessa idade deve ser conduzida considerando os valores familiares, e o bom-senso, o desenvolvimento da criança e a adequação social, sem, é claro, ignorar-se que esse relacionamento deve sempre ser pautado pelo respeito mútuo e pela defesa da criança que, em hipótese alguma, deve ser levada à práticas ou atitudes que podem prejudicá-la.


TIM-TIM! Boa semana!



Sueli Pereira dos Santos
CRT 25.188
Terapeuta Sistêmica (Familia, individual e casal) – Psicopedagoga clínica – Letras - Psicomotricidade e Desenvolvimento Humano – Distúrbios/Transtornos de Aprendizagem – Aprendizagem e Psicopedagogia - Bioenergia - Dinâmicas de Grupo - Educação e Psicologia Social/clinica – Leitura corporal
Belo Horizonte – www.terapeutasistemicablogspot.com

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